Os javalis chegaram ao Brasil através das fronteiras com o Uruguai e Argentina. Onde seus pecuaristas, na busca de introduzir no mercado uma opção de carne exótica, com a alta capacidade de produção trouxeram os animais da Europa e da Ásia. Acontece que devido ao gosto forte da carne e o manejo difícil proveniente do temperamento dos animais, a operação se tornou inviável e acreditasse que estes animais foram soltou na natureza e assim aqui chegaram.

O Javali é um mamífero, da ordem Artiodactyla, da família Suidae. É a versão selvagem do porco doméstico (Sus scrofa domesticus). Quando adultos podem medir entre 1,1 m e 1,8 m de comprimento, com aproximadamente 90 cm de altura na cernelha (ombros). O seu peso pode variar de entre 50 kg a 80 kg, para filhotes e juvenis e de 80kg a 200 kg, em machos robustos. Possuem pelagem castanha-escura a preta, com pelos longos e duros e uma das características marcantes deste animal, são os dentes caninos (presas) muito desenvolvidos e bem expostos, principalmente os machos, usados na defesa e disputas.

As fêmeas podem parir de duas a três vezes por ano, com ninhadas de 4 a 10 filhotes por parto com gestação de três meses, três semanas e três dias. Possuem uma expectativa de vida dos de cerca de 8 a 10 anos na natureza.

Não há registros se foi de forma involuntária ou se houve interferência humana, mas proveniente do cruzamento do javali com porco doméstico deu origem ao “Javaporco”.

O javaporco é um animal maior, mais resistente, mais fértil e mais adaptado ao ambiente brasileiro do que o javali puro.
Embora sejam animais híbridos, são provindo de um cruzamento entre espécies do mesmo gênero (Sus), resultando em animais férteis, o que agrava o problema populacional.

Ainda mais eficiente que a do javali puro, com ciclos reprodutivos é muito curtos e grandes ninhadas, onde uma única fêmea pode gerar até 30 filhotes por ano.

Devido a essa capacidade de reprodutiva por decorrência de ciclos mais curtos e de ninhadas mais produtivas, as manadas de javaporcos já são maiores que as de javalis.

Ambos animais, são muito resistentes e possuem capacidade de percorrer grandes distâncias por dia. Andam em bandos, regidos por um líder, possuem habilidades de escavação, comportamento noturno, e movimentos inteligentes para fugir de monitoramento e abate.

No Brasil, os javalis/javaporcos não possuem predadores naturais em número suficiente para controlar sua população. Apenas a onça-parda (ou suçuarana) e a onça-pintada pode predar indivíduos jovens ou debilitados, mas sem impacto significativo na dinâmica populacional.

Por serem onívoros, possuem dieta variada: raízes, frutas, pequenos animais, ovos, insetos e lavouras. Proporcionando assim uma fácil adaptação aos diferentes tipos de ambiente, desde matas densas até áreas agrícolas e cerrados.

Na região Sul do Brasil, os javalis causaram prejuízos variando entre 5 a 30 hectares de milho por ano. No Estado de São Paulo, os danos chegaram a aproximadamente 340 hectares de lavoura de milho por ano, o que corresponde a cerca de 2,84 mil toneladas de grãos perdidos. Na Região Bragantina, foi registrado um prejuízo de 13.356 sacas de milho destruídas por javalis (dados de 2011).

Estes danos geram sérios impactos a economia nacional. Em nível de Brasil, há estimativa de que javalis e porcos ferais causem prejuízos superiores a R$ 100 milhões por ano, principalmente em lavouras como as de milho.  

Outra preocupação, é a ameaça sanitária massiva e potencialmente catastrófica que pode ser causada por estes animais. Conforme um estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projeta que, no evento de um surto de febre aftosa ou peste suína clássica entre javalis, os prejuízos para o país começariam em R$ 3 bilhões, mas poderiam escalar até R$ 50 bilhões dependendo da propagação da doença e seu impacto em rebanhos.

Não existe um número oficial consolidado sobre a população total de javalis ou javaporcos, conforme levantamentos governamentais ou estatísticas oficiais como o IBGE. As estimativas disponíveis são provenientes de especialistas ou de entidades como o Ibama, FAPESP, entre outras, mas não constituem um dado oficialmente homologado por órgãos de governo federal.

 O engenheiro agrônomo e presidente da Associação Brasileira de Caçadores, Rafael Salerno, estima cerca de 3 milhões de javalis no Brasil. Ele alerta que essa população pode crescer até 150% ao ano

Segundo essa mesma fonte, estima-se que mais de 1 milhão de javalis precisarão ser abatidos até 2025 como forma de controle populacional 

Os dados do Ibama indicam que 333 mil animais foram abatidos entre abril de 2019 e agosto de 2021, e em 2022 o número de abatimentos chegou a 465 mil

Para o estado de São Paulo, segundo levantamento da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) de SP de 2022 indicou que javalis foram registrados em 639 dos 645 municípios do estado, ou seja, 99,1% deles

Em 2022, a SAA emitia mais de 33 mil autorizações para o controle desses animais. Também naquele ano, foram relatados 186 abatimentos por dia em São Paulo, totalizando aproximadamente 68000 animais abatidos (supondo que os abatimentos fossem constantes ao longo de 365 dias), ainda que esse número seja uma estimativa largamente inferior à população total

Para a Região Bragantina, tambem não há dados oficiais sobre a população de javalis ou javaporcos, no entretanto a CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), ligada à Secretaria de Agricultura, elaborou um Diagnóstico de Ocorrências de Javalis nos municípios paulistas, que inclui a Região, com base em relatos de produtores, moradores, autoridades ambientais e outros atores locais.

Segundo relatos de Produtores rurais e CAC’s (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) de Atibaia, a incidência de manadas está presente nos bairros do Boa Vista, Cachoeira, Tanque, Usina, Maracanã, São Roque e Sul Brasil. Os mesmos estimam um número superior a 5000 animais no município.

A presença de javalis e javaporcos na Região Bragantina representa uma ameaça crescente à produção agropecuária, à biodiversidade local e ao equilíbrio ambiental. Com uma população em expansão em quase todos os municípios paulistas. Esses animais causam graves prejuízos econômicos, como destruição de lavouras, ataque a criações e disseminação de doenças, além de desequilíbrios ecológicos por predarem espécies nativas e degradarem áreas de mata.

A Região Bragantina, conhecida por sua produção diversificada (hortaliças, milho, frutas, pecuária leiteira e de corte) e por sua importância ambiental (áreas de mananciais e fragmentos de Mata Atlântica), é particularmente sensível aos impactos dessa espécie invasora. O avanço dos javalis compromete não apenas a sustentabilidade econômica das propriedades rurais, mas também os recursos naturais fundamentais à região, como o solo, a água e a fauna silvestre.

Nesse contexto, o controle legal do javali — autorizado pelo Ibama e apoiado por produtores, CACs e órgãos públicos — torna-se essencial. Medidas como cercas elétricas, armadilhas técnicas, monitoramento com câmeras e parcerias com grupos de manejo legalizado são fundamentais para conter a expansão da espécie. Além disso, é crucial o engajamento de entidades locais, como a CATI, secretarias municipais de meio ambiente e associações rurais, na orientação dos produtores e na integração de ações regionais.

Em síntese, o enfrentamento ao javali na Região Bragantina exige uma abordagem técnica, colaborativa e contínua, que alie proteção da produção rural com conservação ambiental. A preservação da qualidade de vida no campo e do patrimônio ecológico da região depende da mobilização de todos os atores locais diante dessa ameaça real e urgente.

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