Há um erro estrutural sendo repetido à exaustão na política econômica brasileira, e ele fica ainda mais evidente quando observamos a realidade da Região Bragantina. O país segue produzindo, a indústria mantém linhas ativas e o atacado se reorganiza. Ainda assim, a economia patina. O motivo é simples e sistematicamente ignorado: o comércio foi abandonado pelo poder público.
A indústria fabrica. O atacado distribui. Mas é o comércio que transforma produção em dinheiro circulando, emprego local e arrecadação municipal. Quando ele enfraquece, todo o sistema entra em colapso silencioso.
Os números do varejo deixam isso claro. O consumo das famílias segue pressionado por juros elevados, crédito caro e endividamento recorde. O pequeno e médio comerciante é responsável pela maior parte dos empregos formais nas cidades e opera no limite. Margens comprimidas, custos fixos crescentes e nenhuma política pública consistente de apoio.
Um país que ignora quem sustenta o giro
Enquanto incentivos fiscais, financiamentos subsidiados e programas de fomento seguem concentrados na indústria, o comércio é tratado como consequência automática do crescimento. Isso é um erro técnico, econômico e estratégico.
Como afirmou o presidente da Associação Comercial e Industrial de Atibaia (ACIA):
“O comércio não é o final da cadeia. Ele é o centro do sistema econômico urbano. Quando o comércio para, a cidade para junto.”
Na prática, o que se vê é um vazio de políticas públicas voltadas à modernização comercial, ao acesso real ao crédito e à competitividade frente às grandes redes e marketplaces. O resultado é desigualdade econômica local e perda de vitalidade urbana.
Atacado cauteloso, varejo estrangulado
O atacado reage reduzindo estoques e assumindo postura defensiva. O varejo sente primeiro e mais forte. Menos vendas significam menos contratações, menos investimentos e queda direta na arrecadação municipal. Não há desenvolvimento regional sustentável sem comércio forte.
Segundo a ACIA, a situação é alarmante:
“O comerciante está pagando a conta de uma política econômica que não o enxerga. Ele gera emprego, paga impostos e ainda assim não tem acesso a crédito em condições minimamente justas.”
Região Bragantina: potencial desperdiçado
A Região Bragantina reúne localização estratégica, vocação empreendedora e forte presença industrial. Ainda assim, perde competitividade por falta de planejamento integrado entre indústria, comércio e poder público.
Faltam investimentos claros em:
- Revitalização de centros comerciais
- Linhas de crédito específicas para o comércio
- Programas de capacitação em gestão e tecnologia
- Políticas de estímulo ao consumo local
Como resume o presidente da ACIA:
“Não se trata de subsídio ou privilégio. Trata-se de inteligência econômica. Investir no comércio é investir no retorno mais rápido para a sociedade.”
Sem comércio, não há economia real
Ignorar o comércio é comprometer o crescimento das cidades. A economia não acontece no discurso macroeconômico, mas no caixa das lojas, na contratação do funcionário e no consumo diário da população.
O Brasil precisa parar de tratar o comércio como efeito colateral da indústria. Ele é protagonista. Sem ele, não há giro, não há cidade viva e não há crescimento sustentável.
A indústria produz.
O atacado distribui.
Mas é o comércio que faz a economia acontecer.

Empresário, comerciante, publicitário e atual presidente da Associação Comercial e Industrial de Atibaia (ACIA), onde lidera ações para o fortalecimento do comércio e da indústria regionais. Profissional com mais de 20 anos de experiência em estratégias de branding, marketing digital e comunicação empresarial, também atua como consultor e diretor em uma empresa de marketing e negócios, desenvolvendo soluções inovadoras e contribuindo para o crescimento econômico de organizações. Especialista em conectar empresas ao mercado, é reconhecido por sua visão estratégica e foco no desenvolvimento econômico e social.

