No universo do franchising, muitas vezes, as oportunidades surgem com as chamadas “lojas de repasse”. À primeira vista, pode soar como uma oportunidade atrativa, estrutura pronta, equipe formada, treinada e operação em andamento. Um cenário que pode reduzir o tempo de implantação, implementação e acelerar o retorno sobre o investimento. Muitos empreendedores entendem ser a chance de entrar em uma rede consolidada com menor complexidade inicial. No entanto, por trás da aparente vantagem, podem existir riscos consideráveis que exigem uma análise muito mais criteriosa.

Diferentemente de uma unidade nova, a loja de repasse carrega um histórico operacional. É justamente nele que residem os principais pontos de atenção que precisam ser desdobrados. Questões como desempenho financeiro abaixo do esperado, problemas de gestão, conflitos com clientes ou até desgaste da marca na região podem ter motivado a venda ou a fraca operação frente o resultado. Nem sempre as fragilidades estão evidentes num primeiro contato, o que pode levar o investidor a assumir um negócio já comprometido com valores que estão para aumentar, tal como aluguel ou mesmo o nível de concorrência no local.

Nem todos os dados estão à mão da franqueadora. E nem sempre o franqueado sabe ou deseja abrir os reais motivos. Para se resguardar, é fundamental entender se a unidade está em conformidade com os padrões da rede, se existem pendências contratuais ou operacionais, o nível de suporte oferecido nesse processo de transição, bem como qual tipo de suporte financeiro e concessões podem ser aplicadas em favor do empresário que assumir a operação.

A tomada de decisão segura passa, também, por analisar indicadores reais de faturamento, custos e lucratividade. É preciso ir além das projeções e entender o realizado diante de cada período. Assim, quando bem avaliadas, as lojas de repasse podem, sim, representar boas oportunidades. Mas isso não afasta o desafio. É preciso trabalhar com estratégia a base de clientes ativa, soerguer a operação de forma estruturada e validar a localização para que resultados possam ser acelerados e a retomada da confiança no ponto comercial aconteça.

No cenário de ‘repasse’, o mais importante é saber o que está sendo repassado: um ativo, uma possibilidade ou um passivo. Detalhes nem sempre surgem de primeira-mão. É pela mesma razão que negócios complexos não devem ser realizados no calor de qualquer emoção.

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *