Estive nos dias 15, 16 e 17 de agosto, no Campeonato Paulista de Atletismo Sub-20, em Bragança Paulista. Além de encontrar grandes personalidades do atletismo brasileiro, me deparei com duas experiências que merecem destaque: a excelente estrutura do Centro Nacional de Desenvolvimento de Atletismo da CBAt, referência nacional, e o inspirador projeto Pequeno Mundo, que mostra como o esporte e a educação podem caminhar juntos na construção de um futuro melhor.

(Divulgação: Casa Pequeno Mundo)

O desenvolvimento de uma comunidade nunca acontece apenas pelas grandes obras de infraestrutura, pelos índices econômicos ou pela expansão urbana. Ele se revela, sobretudo, na capacidade de formar pessoas. É no preparo da juventude que se definem os contornos de uma sociedade mais justa, criativa e sustentável.

Nesse sentido, iniciativas como a Casa de Ensino Profissionalizante Pequeno Mundo, de Bragança Paulista, são exemplos vivos de como sonhos individuais podem se transformar em projetos coletivos com impacto duradouro. O Pequeno Mundo nasceu com uma proposta clara: preparar jovens de 14 a 18 anos para os desafios do mercado de trabalho, oferecendo 30 disciplinas distribuídas em quatro setores, em ciclos de 10 meses. Até 250 jovens tem acesso a esse espaço que une capacitação técnica, criatividade, habilidade social e destreza, três pilares reconhecidos como essenciais para a inserção e permanência de qualquer indivíduo no mundo do trabalho.

A inspiração que move o projeto foi compartilhada por Daysi Méssici, idealizadora do Pequeno Mundo e esposa de Edemir Pinto, em uma fala emocionada durante o Campeonato Paulista de Atletismo Sub-20, no último dia 16 de agosto. Ao relembrar a origem da iniciativa, Daysi contou como, ainda aos 17 anos, decidiu que transformaria em realidade o sonho de acolher e oferecer oportunidades a crianças e jovens. A cena de uma menina que lhe pediu para ser levada embora de um abrigo foi a semente de um projeto que, décadas depois, se concretizou.

Hoje, o Pequeno Mundo já ultrapassa os limites de Bragança e atende jovens de outras cidades da região. Esse movimento de expansão mostra que o desenvolvimento também se multiplica quando uma boa ideia é abraçada coletivamente.

O legado de Daysi e de Edemir Pinto, que recebeu uma justa homenagem no evento, transcende o campo social. É, antes de tudo, um testemunho sobre persistência. Como lembrou Daysi, “não importa quanto tempo leve, o importante é deixar um legado. Existe um tempo certo para tudo dar certo, e não desistir nunca é essencial”.

(Imagem de FOTOP: Momento da entrega da homenagem à Daysi Méssici e Edemir Pinto)

Ao olharmos para projetos como o Pequeno Mundo, somos convidados a refletir sobre quais caminhos queremos trilhar como sociedade. O desenvolvimento que buscamos em Atibaia, Bragança e em toda a nossa região não pode ser apenas o da velocidade da tecnologia ou da construção civil. Ele precisa também ser humano, inclusivo e capaz de abrir portas para a juventude que sonha, e que precisa de espaço para transformar sonhos em realidade.

No fim das contas, talvez o “Pequeno Mundo” seja apenas o nome. Porque, na prática, o que ele representa é a grandeza de um projeto que planta, com paciência e visão de futuro, sementes para um mundo muito maior.

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