Público maduro prioriza bairros com mobilidade, infraestrutura e qualidade de vida, influenciando preços e projetos urbanos
Mais idade, mais influência no mercado
A população com 60 anos ou mais tem impactado diretamente as dinâmicas do mercado imobiliário nas grandes cidades brasileiras. Segundo dados da Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios, divulgada pelo IBGE em 2025, esse público busca regiões com melhor infraestrutura, mobilidade e qualidade de vida — e essa escolha tem influenciado a valorização dos bairros.
O levantamento mostra que 93,3% das pessoas com 70 anos ou mais vivem em vias largas, que favorecem a circulação, e 36,7% estão em áreas com ao menos cinco árvores, o maior índice entre todas as faixas etárias.
Mudança de comportamento redefine a moradia
“O consumidor maduro não está apenas acompanhando tendências, ele está criando novas exigências. Morar bem, com conforto, segurança e acesso facilitado a serviços, não é luxo para esse público, é prioridade”, afirma Martin Henkel, especialista em marketing 60+ e CEO da SeniorLab.
A chamada economia prateada, que engloba atividades voltadas ao público com mais de 60 anos, já movimenta uma renda trilionária por ano no Brasil. Com maior poder aquisitivo, mais tempo disponível e foco na qualidade de vida, esse grupo influencia diretamente os parâmetros dos novos empreendimentos residenciais e comerciais.
“As decisões de moradia hoje incluem questões como calçadas com rampas, arborização, mobilidade urbana e proximidade de hospitais, supermercados, lazer e centros de saúde. Isso impacta diretamente o planejamento urbano e o lançamento de novos empreendimentos”, destaca Henkel.
Tendências da longevidade urbana
- Convivência intergeracional: bairros que incentivam a interação entre diferentes faixas etárias ganham mais valor.
- Acessibilidade discreta: rampas, elevadores e sinalização adaptada são essenciais, mas de forma integrada ao design urbano.
- Vida ativa e conectada: praças, academias ao ar livre e ciclovias fazem parte do que é considerado um bairro ideal.
- Tecnologia e bem-estar: segurança, automação e conectividade entram como critérios relevantes para esse público.
“A população madura não quer morar em lugares ‘preparados para idosos’, mas sim em bairros que ofereçam autonomia, estímulo à vida ativa e conforto para todas as idades”, finaliza Henkel. “Cada rampa construída, cada calçada bem planejada e cada metro quadrado arborizado é, na prática, um investimento na valorização imobiliária do futuro.”

