Especialistas da Trevisan Escola de Negócios alertam que organizações devem se antecipar ao marco legal adotando frameworks internacionais e políticas de transparência
Enquanto o Brasil aguarda a aprovação final do marco legal da Inteligência Artificial na Câmara dos Deputados, as empresas enfrentam um vácuo regulatório que exige proatividade. Sem uma lei específica em vigor, a mitigação de riscos e a conformidade ética tornaram-se dependentes de estruturas de governança interna e da adoção de padrões globais. Para o professor Jefferson Souza, da Trevisan Escola de Negócios, a estratégia vencedora é não esperar. “As organizações que estiveram à frente em conformidade na época da LGPD foram exatamente as que olharam para o que já estava sendo feito internacionalmente”, pontua.
A base para esse uso responsável já existe em normas como a ISO 42001 e o NIST AI Risk Management Framework, além dos princípios de IA da OCDE. Essas diretrizes ajudam a evitar brechas de segurança e vieses não monitorados, problemas críticos em um cenário onde 63% das empresas ainda não sabem se possuem práticas corretas de gerenciamento de dados para IA, segundo dados da consultoria Gartner de 2025. O estudo alerta, inclusive, que 60% dos projetos de IA tendem a ser abandonados se não houver sustentação por dados adequados.
Políticas internas e supervisão humana
O desafio vai além da tecnologia; é cultural e educativo. Implementar IA sem compreender suas limitações pode expor a empresa a riscos graves de privacidade e violações da LGPD. A professora Adriana Vieira, coordenadora do novo MBA da Trevisan em IA Responsável, ressalta que o treinamento da equipe é parte indissociável da governança. “É preciso criar políticas internas que incluam supervisão humana em decisões sensíveis e transparência total sobre os modelos utilizados”, explica.
Para as empresas, a construção de um ecossistema ético envolve o monitoramento contínuo das respostas geradas pela IA e o registro rigoroso de fontes e processos. Essa postura não apenas protege a organização contra futuros passivos legais, mas também fortalece a confiança entre clientes, parceiros e colaboradores em um mercado cada vez mais atento à ética digital.

