Da Redação. (foto: divulgação)

Implementados no Recife, os “jardins filtrantes” usam a natureza para tratar a água de riachos urbanos, melhoram o microclima e requalificam espaços públicos. A iniciativa surge como modelo escalável para o grave problema de saneamento no Brasil

Uma solução inovadora desenvolvida no Recife, que utiliza jardins para filtrar naturalmente a água de riachos urbanos, acaba de ganhar reconhecimento internacional da Organização das Nações Unidas (ONU). Os “jardins filtrantes”, implementados pela Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES), completam três anos consolidando-se como um modelo de sucesso que integra drenagem sustentável, requalificação urbana e adaptação climática.

Mariana Pontes (Foto: Linkedin / reprodução)

A iniciativa surge como uma resposta prática a um dos maiores desafios de infraestrutura do Brasil. Segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA), menos da metade (42,6%) do esgoto no país é coletado e tratado, e toneladas de carga orgânica são lançadas diariamente nos corpos d’água, comprometendo a qualidade de rios e riachos urbanos, como o Capibaribe, no Recife.

Como funcionam os Jardins Filtrantes

A tecnologia social transforma áreas antes subutilizadas em infraestruturas verdes. As plantas e o sistema de filtragem natural removem poluentes da água, ao mesmo tempo em que criam novos espaços públicos qualificados, com impactos positivos no microclima e na paisagem urbana.

Os resultados são mensuráveis. “Monitoramentos recentes indicam avanços expressivos, com melhoria de até 90% a 95% na qualidade da água e aumento de cerca de 70% na oxigenação, criando condições mais favoráveis à recuperação ambiental do riacho”, pontua Mariana Pontes, presidente da ARIES.

Impacto social e reconhecimento internacional

Além dos benefícios ambientais, a transformação dos espaços é percebida no cotidiano da população, que passou a utilizar com mais frequência as áreas requalificadas para circulação e convivência. “É um espaço muito importante para a comunidade, para a gente ter um pouco mais de contato com a natureza“, diz a professora Thalita Poncioni.

O sucesso da iniciativa fez com que os jardins filtrantes do Recife fossem incluídos, em 2026, em guias de boas práticas de organismos internacionais como a ONU, sendo reconhecidos como referência em Soluções Baseadas na Natureza.

Para a presidente da ARIES, a experiência reforça o potencial de replicação do modelo em outras cidades que enfrentam desafios semelhantes. “A experiência do Recife evidencia a importância de inovações urbanas que têm dados mensuráveis e que podem ser replicadas para outras realidades, contribuindo enquanto soluções eficazes e sustentáveis de impacto socioambiental”, conclui Mariana Pontes.

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