Pesquisa revela que 93% das empresas brasileiras usam IA de forma desestruturada
Pesquisa revela que 93% das empresas brasileiras usam IA de forma desestruturada
Estudo conduzido pela MIT SMR Brasil e TOTVS com cerca de 600 corporações mapeia abismo entre experimentação e geração de valor; 88% das companhias não medem o retorno financeiro da tecnologia.
A inteligência artificial tornou-se parte da rotina do ambiente corporativo no Brasil, mas a falta de integração com os objetivos estratégicos e sistemas centrais de negócios ainda impede a geração de resultados mensuráveis. É o que revela o estudo “Da adoção à escala: a maturidade da inteligência artificial nas empresas brasileiras”, realizado pela MIT Sloan Management Review (SMR) Brasil e encomendado pela TOTVS.
O levantamento, que ouviu 583 profissionais de empresas de diversos portes e setores em todo o país, indica que, embora 80% das organizações declarem testar ou utilizar IA, 93% operam em fases experimentais, testes ou com implementações parciais e pulverizadas.
Falta de controle financeiro e desarticulação entre áreas
Segundo o relatório, 40% das companhias conduzem iniciativas de IA sem nenhuma coordenação entre os diferentes setores internos. A pressa em adotar novas ferramentas tem superado a disciplina orçamentária: 86% das empresas não calculam o custo de operação da tecnologia e 88% não mensuram o retorno financeiro (ROI) obtido a partir dela.
Para Gustavo Bastos, vice-presidente de Plataformas e TI da TOTVS, o avanço da tecnologia exige uma transição do uso superficial para a integração aos processos produtivos:
“A adoção da IA já não diferencia mais ninguém; o que separa empresas de alta performance daquelas que ainda patinam hoje é a capacidade de incorporá-la à operação real. Usar a inteligência artificial apenas como um assistente isolado, sem atrelá-la às métricas e aos processos vitais da empresa, é deixar de gerar valor.”
O estudo calculou o Índice de Maturidade médio das empresas brasileiras em 6,69 (em uma escala de 0 a 10). Apenas 8% das companhias atingiram o nível mais alto de integração, conectando a IA diretamente aos seus sistemas de gestão (ERP). Além disso, organizações que mantêm parcerias tecnológicas externas apresentam maturidade 41% superior às que tentam evoluir isoladamente.
Desafios em infraestrutura, dados, cultura e governança
A pesquisa avaliou sete dimensões do uso da tecnologia nas corporações e destacou gargalos estruturais e culturais que retardam a escala das operações:
Integração de Dados: Embora 68% das companhias utilizem arquitetura em nuvem, apenas 46% relatam que suas soluções de IA acessam bases de dados de forma automática.
Capacitação e Letramento: 43% dos colaboradores temem cometer erros por confiar excessivamente na IA e 37% declaram não saber utilizar as ferramentas corretamente. Contudo, apenas 7% das empresas oferecem programas formais de treinamento.
Governança e Riscos: Apenas 14% das organizações contam com uma política corporativa formal de governança para IA. Para 46% dos executivos, o vazamento de dados ou uso indevido de informações é apontado como a principal ameaça.
Douglas Souza, CEO do CNEX (entidade que representa a MIT SMR no Brasil), enfatiza que “oferecer programas de capacitação estruturados e provocar as lideranças para redesenhar seus processos são duas premissas fundamentais para evoluir nos níveis de maturidade”.Continue lendo
