*Por: Luany Moraes e Gianmarco Bisaglia.
Imagine 40 pessoas organizadas em quatro grupos de trabalho, discutindo políticas públicas, identificando problemas e articulando soluções e projetos: não estamos falando de nenhum órgão público, é o Rotary Club de Atibaia em sua missão de gerar impacto e investimento social em Atibaia e região. Vamos conhecer um pouco desta organização que de forma efetiva e discreta trabalha (muito) para construção de um mundo melhor!
Quem nos recebe é o Presidente do Clube no ano rotário 2025/26 Luiz Fernando Portella e o Presidente de Imagem Pública Rogério Leandro, falando do tamanho do movimento rotário, um clube de serviço fundado em 1905 em Chicago com o propósito de gerar amizades e influir positivamente na sociedade; com milhares de unidades mundo afora, o Rotary representa uma potente network de líderes e empresários atuando em campos diversos como paz e mediação de conflitos, saúde, saneamento, educação, desenvolvimento econômico e meio ambiente.
“Nosso papel é identificar demandas, articular soluções e implantar projetos, preferencialmente em parceria com empresas, governos e sociedade civil” – nos conta Fernando, o recém-empossado presidente do Rotary Club de Atibaia; com a convicção de quem acredita no que fala e sabe o que está fazendo, deixa claro o papel de investimento social da instituição.
Um dos projetos mais antigos e relevantes é o Banco de Cadeira de Rodas, atualmente o Rotary atende mais de 400 famílias com empréstimo gratuito de equipamentos para mobilidade médico-hospitalares para população de baixa renda, uma ação totalmente voluntária garante a aquisição e manutenção dos equipamentos, e o atendimento, triagem e gestão de empréstimo sem nenhuma burocracia para quem necessita, toda informação pode ser obtida pela Central Rotary de Atendimento o CRA: 11-4402 7724.

Na área da saúde vem sendo notória nos últimos anos a campanha pela vacinação contra a pólio, uma das bandeiras mundiais do Rotary, este ano em Atibaia, a campanha está sendo coordenada por Rogério Leandro, que promete algumas inovações, como por exemplo, fazer uma campanha pautada por um propósito que estabelece uma grande meta: “superar os 95% de cobertura vacinal” que garantirá que Atibaia seja considerada protegida contra as doenças imunopreveníveis. Este ano a campanha conta com uma parceria de peso, a ACIA (Associação Comercial de Atibaia), que pretende articular com os empresários lojistas para fazer a campanha acontecer. A ideia é ampliar a cobertura vacinal junto à população, em queda desde a pandemia, e engajar mais empresários em causa social relevante para a cidade. A campanha não será apenas em combate a poliomielite, fará parte da campanha a multivacinação que contempla o restante das vacinas contra as doenças imunopreveníveis e também a “Hepatite Zero”, que é mais uma bandeira de saúde pública levantada pelo Rotary, no qual o objetivo é eliminar 65% das mortes em decorrência da hepatite e evitar até 90% dos novos casos até 2030. Tudo isso através de um acordo firmado entre o Ministério da Saúde e o Rotary, para cumprir o compromisso firmado entre o Brasil junto à OMS (Organização Mundial da Saúde).

Outra ação bastante avançada refere-se à oferta de qualificação profissional em Atibaia, uma articulação que envolve secretarias municipais de ação social, desenvolvimento econômico e educação, empresários e o sistema “S”; são discutidas demandas de empregabilidade no município, onde encontramos muitas vagas abertas não preenchidas por fatores como baixa qualificação ou oferta de baixa remuneração; a ideia é envolver empresários dos segmentos impactados (metal mecânica, hotelaria, automação, dentre outros) criando ações de fomento a programas de aprendizagem e qualificação que não só envolvam jovens mas também, na medida do possível, ofereçam alternativas de apoio aos pais/famílias em projetos de geração de renda, alinhado desta forma com as áreas prioritárias de intervenção social do atual governo municipal, sejam a segurança alimentar, geração de renda e qualificação profissional.
O modelo já colhe os primeiros frutos, com ações de qualificação de genitores em costura e panificação a ideia é aumentar a renda da família, criando condições para o crescimento profissional dos jovens, almejando melhorar o nível de qualificação e renda da próxima geração. Neste contexto, trabalha-se com a perspectiva de acesso a um primeiro emprego, o que demanda compromisso da sociedade e da classe empregadora. Nessa linha, aguardamos para setembro o lançamento de uma iniciativa articulada pelo Rotary, que vai injetar recursos e disponibilizar espaços privados para formação de aprendizes, potencializando as iniciativas existentes, que por mais meritórias que sejam, ainda não suprem um gap de centenas de vagas de aprendizes não preenchidas na região.
A rede de contatos do Rotary vem possibilitando o intercâmbio de tecnologias sociais e experiências pelo mundo – da Tanzânia vem uma solução inovadora para combate à malária na forma de um composto para fazer chá! O papel do Rotary tem sido ampliar as possibilidades de sucesso de boas iniciativas, como neste caso facilitando a ponte com centros de pesquisa e modelando soluções para implementação em escala do experimento. Nessa mesma linha de intervenção está identificada no município uma fila de 6000 necessitados de exames de colonoscopia, que a rede pública não tem capacidade para atender atualmente – aqui está sendo estudado um investimento de grande porte, algo em torno de U$ 200 mil com potencial apoio da Fundação Rotária, braço mundial de filantropia do movimento.
Relevante também, o papel do Casa da Amizade, que reúne lideranças femininas em ações de arrecadação de fundos, organização de eventos, doações de fraldas geriátricas e enxovais para gestantes de baixa renda. É importante frisar que o Rotary não possui finalidade assistencial, nem a intenção de ser exclusivamente financiador ou operador de projetos – o foco é criar condições e processos de desenvolvimento de pessoas, comunidades e governos, utilizando a sua força de voluntários e a excepcional rede mundial do movimento, todos empenhados no mesmo espírito de cooperação.
Este posicionamento permite que também sejam apoiados projetos de outros protagonistas, como por exemplo, a Treetech, empresa de tecnologia que há anos patrocina cursos complementares de matemática junto à rede pública de ensino, ou o Pequeno Mundo, excepcional projeto de formação de adolescentes de Bragança Paulista.
“Temos consciência que não vamos atingir 100% dos problemas, mas se a gente conseguir resolver 20%, 10%, por exemplo, já começamos a ter dados e referências para ampliar soluções futuras”, nos explica Fernando, mostrando que é melhor um protagonismo possível, que a passividade de deixar apenas para o poder público ou para a sociedade o ônus de gerar desenvolvimento social, esta é a marca do Rotary Club de Atibaia, organização que trabalha firme para promover a cooperação e gerar impacto social relevante.

CRA – Central Rotary de Atendimento: 11-4402 7724

Luany Moraes é estudante de Ciências Sociais na Unicamp. Desde 2022, atua como coordenadora de projetos e captação de recursos no Fortes – Escritório de Projetos da ONG Mater Dei, liderando a elaboração de propostas, a prospecção de parcerias e o acompanhamento de execução das iniciativas.

Empreendedor social, consultor empresarial, educador e músico, pai da Mariana e cidadão de Atibaia. Possui mais de 40 anos de trajetória profissional transitada entre o meio corporativo e o terceiro setor. Atualmente é dirigente da ONG Mater Dei de Atibaia-SP e violonista do grupo Eclético Musical.

