Com o avanço da pauta no Senado, especialistas alertam que adaptação antecipada será decisiva para preservar vendas, margem e experiência do cliente no varejo

A possível extinção da escala 6×1 ganhou força no debate público e legislativo e deve impactar diretamente o varejo brasileiro a partir de 2026. Pesquisas recentes mostram maioria da população favorável à redução da jornada, enquanto o tema avança na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e segue para análise no Plenário. Para o setor, o cenário impõe uma revisão profunda de processos, produtividade e uso de tecnologia.

Levantamento do Instituto Locomotiva/QuestionPro indica que 57% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1. Já a Nexus Pesquisa aponta 65% de apoio à redução da jornada de trabalho. Ao mesmo tempo, estudo da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) sugere que a mudança pode gerar impacto de até 16% no PIB, reforçando a necessidade de reorganização das operações, especialmente em segmentos intensivos em mão de obra, como o varejo.

Para Eduardo Schuler, CEO da Smart Consultoria, especializada em estratégia para marcas de consumo, o debate revela um ponto central: o modelo atual já não sustenta crescimento. “Operações pesadas e baixa produtividade individual não funcionam mais. O fim da 6×1 expõe ineficiências que já existiam”, avalia.

Diante desse cenário, o especialista aponta cinco ações práticas para que varejistas preservem receita, margem e competitividade durante a transição.

1. Otimizar horários e turnos com base em dados

Analisar fluxo de clientes, conversão por hora e ticket médio permite criar escalas mais inteligentes, reduzindo horas ociosas e reforçando equipes nos períodos de maior impacto. “Dados reais ajudam a cortar custos sem prejudicar atendimento”, afirma Schuler.

2. Apoiar vendedores com tecnologia e IA

Ferramentas de inteligência artificial podem sugerir produtos, indicar oportunidades de cross-sell e oferecer histórico do cliente em tempo real. “Com tecnologia, um vendedor entrega mais resultado sem aumento de equipe”, destaca.

3. Transformar o digital em vantagem competitiva

Captação de leads, entendimento prévio da intenção de compra e atendimento personalizado antes da ida à loja elevam conversão e reduzem dependência do esforço presencial. “O digital deixa de ser opcional e passa a ser estrutural”, pontua.

4. Redesenhar processos e automatizar tarefas

Automação de estoque, relatórios e rotinas administrativas libera a equipe para atividades diretamente ligadas à venda. “Eliminar tarefas sem valor aumenta agilidade e eficiência”, diz o executivo.

5. Gerir performance, não presença

Indicadores como conversão por turno, fluxo de clientes e retorno por hora permitem remunerar e alocar equipes com foco em resultado, e não apenas em horas trabalhadas. “Performance vira o novo centro da gestão”, explica.

Com a pauta avançando no Congresso, especialistas avaliam que o impacto no varejo é inevitável. Para Schuler, a mudança pode se tornar um divisor de águas no setor. “O fim da escala 6×1 não representa o fim do varejo, mas o fim do varejo ineficiente. Quem se antecipar terá mais produtividade, escala e futuro”, conclui.

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