Pesquisa do Sebrae/GEM mostra que quase 63% dos empreendedores entre 65 e 74 anos abriram um negócio por oportunidade, impulsionando a maturidade como vantagem competitiva
A aposentadoria deixou de representar o fim da vida produtiva para se transformar em um ciclo de inovação e novos negócios. Pela primeira vez, a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada no Brasil pelo Sebrae em parceria com a Anegepe, mapeou a faixa etária de 65 a 74 anos, revelando que 62,8% desses empreendedores iniciaram seus negócios por oportunidade, e não por necessidade financeira. O dado contrasta com a faixa de 55 a 64 anos, na qual 53,3% empreendem motivados pela urgência econômica.
A busca por autonomia, aliada ao aproveitamento do capital relacional e da bagagem profissional acumulada ao longo de décadas, tem posicionado a maturidade como um ativo estratégico para a criação de empresas de alto desempenho.
Repertório profissional como diferencial e o desafio da escalabilidade
Para Ycaro Martins, CEO da Maxymus Expand, a experiência acumulada representa uma vantagem competitiva relevante em mercados que exigem credibilidade e gestão de riscos. Contudo, o especialista alerta sobre a importância de estruturar a operação para evitar a dependência centralizada do fundador.
“Aos 60 anos, uma pessoa carrega décadas de aprendizados e relacionamentos. O ponto crítico é transformar essa experiência em processos, tecnologia e equipes capacitadas. Se o negócio depende exclusivamente do fundador para rodar, ele não construiu uma empresa escalável, apenas criou um novo emprego para si mesmo”, explica Martins.
Franquias e nicho sênior: o caso da 3,2,1 GO!
A aplicação prática desse modelo ganha tração no setor de serviços e franquias. Aos 68 anos, a empreendedora Tania de Jesus e seu marido, de 66 anos, assumiram uma unidade da rede de franquias de viagens 3,2,1 GO! em Santos (SP). A operação combina a bagagem comercial prévia do casal com o foco no atendimento ao público sênior, estruturando grupos de viagens e roteiros customizados para a terceira idade.
Casos como o de Tania ilustram como a combinação entre modelos de negócios testados (como o franchising) e o domínio de nichos de mercado por afinidade geracional reduzem os riscos operacionais da transição de carreira.
Integração entre experiência e tecnologia
Embora a adaptação digital e a gestão de novos canais de vendas representem desafios para essa fatia de empreendedores, Martins destaca que a inteligência artificial e as ferramentas de automação devem atuar como alavancas de eficiência.
“O empreendedor maduro não precisa competir com a agilidade do jovem de 25 anos. O diferencial está em combinar leitura de cenário, capacidade decisória e redes de contatos com a força de trabalho jovem e novas tecnologias. É a união entre repertório e inovação que constrói empresas sustentáveis”, conclui o CEO da Maxymus Expand.
