A gestão é uma das etapas mais complexas de desenvolvimento dentro de qualquer modelo de negócios. O cenário, por sua vez, pode ficar ainda mais complexo quando é preciso tomar dinheiro emprestado para fazer o negócio ‘rodar’ no dia a dia. A alavancagem de capital pode ser uma decisão estratégica para uma loja franqueada, porém o crédito sozinho não transforma uma operação deficitária em um negócio saudável. O recurso financeiro pode, sim, vir a viabilizar a implantação, reforçar o capital de giro, financiar equipamentos ou mesmo sustentar uma expansão. A questão é quando o dinheiro captado passa a compensar falhas estruturais de gestão, da falta de mapeamento dos cenários micro e macros, as vendas abaixo do projetado ou é aplicado para cobrir despesas não compatíveis com a capacidade real da unidade.

Na prática, a dívida interfere diretamente na operação. Cada parcela assumida reduz a margem de manobra do caixa e cria uma obrigação que continuará existindo mesmo quando o faturamento oscilar. É tal como um novo sócio que tem o direito de receber com prioridade, assim como o aluguel, folha de pagamento, fornecedores, impostos, royalties e reposição do estoque que já pressionam bastante o fluxo financeiro. Ao acrescentar mais uma dívida, é preciso considerar o período de maturação da loja, para que o recurso empregado não seja transformado em uma dificuldade nova.

Em tempo, isso não significa que capital de terceiros seja necessariamente ruim. Dado o motivo do seu emprego, o mesmo pode ser adequado quando financia algo capaz de gerar retorno superior ao seu próprio custo: uma reforma necessária, equipamentos que aumentem produtividade, estoque com giro comprovado ou uma expansão sustentada por indicadores consistentes e reais. A lógica para uma tomada de decisão é simples: o dinheiro precisa produzir capacidade de pagamento dele mesmo, e não apenas adiar uma incapacidade de caixa. Sem a capacidade de se gerar ‘dinheiro novo’, o retorno pode ser apenas o aumento da insuficiência.

Despesas recorrentes, neste contexto, não devem ser a razão de uma tomada de empréstimo pois o valor obtido acabará e a demanda seguirá desajustada. É preciso equilíbrio, corrigir rotas. Quando à antecipação de recebíveis, ou mesmo da contratação de capital de giro ou renegociar dívidas, a sensação em um primeiro momento pode ser de alívio. Mas não retira a necessidade de se olhar com atenção para uma revisão de custos, entendendo a margem de contribuição de cada produto ou serviço, o volume ideal do estoque x vendas e a produtividade real da equipe. A operação, no dia a dia, precisa revelar onde o dinheiro está sendo consumido sem gerar retorno. Assim, evita-se que novos recursos sejam colocados de forma equivocada a partir de então.

Olha para dentro do seu próprio negócio é um movimento necessário e que deve ser recorrente. Não existem soluções fáceis. E todas passam por um diagnóstico e um planejamento. Assim, antes de contratar crédito, o franqueado deve projetar fluxo de caixa, testar cenários de faturamento, calcular o impacto das parcelas mensais em seu faturamento e preservar uma reserva operacional para saber lidar em momentos de emergência. É preciso que se entenda que Capital só é solução quando consegue ampliar a capacidade de uma operação, tornando-a saudável, mais rentável. Quando apenas atua para financiar seus problemas, torna-se o combustível perfeito para uma asfixia chamada endividamento.

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