Especialista em arquitetura corporativa e gestão de operações explica que o esgotamento pode estar ligado à falta de flexibilidade dos escritórios e à rigidez das rotinas no modelo presencial e híbrido
Nem sempre a sensação de esgotamento de um time decorre exclusivamente do volume de demandas ou da carga horária. Mudanças comportamentais, queda no fluxo de interação interpessoal, falta de foco e desinteresse generalizado em ações da empresa sinalizam que o ambiente de trabalho também exige reavaliação. Com a consolidação dos formatos de trabalho híbridos e presenciais, o papel do espaço corporativo passou a ser questionado: mais do que um local de cumprimento de tarefas, o ambiente deve atuar como catalisador de convivência, bem-estar e produtividade.
Nikolas Matarangas, CEO da Be In — empresa especializada em escritórios sob medida e gestão de operações corporativas —, destaca que a identificação precoce desses ruídos impede o agravamento do clima organizacional:
“Às vezes a empresa olha para uma equipe cansada e pensa imediatamente em produtividade ou carga de trabalho, mas é importante observar o ambiente como um todo. Como as pessoas estão interagindo? Elas têm momentos de pausa? Existe espaço para conversar, se concentrar e também simplesmente respirar? São pequenos sinais que podem mostrar que alguma coisa precisa ser ajustada.”
Sete indicadores de alerta no clima e na estrutura corporativa
Compreender o comportamento dos colaboradores no espaço físico ajuda a identificar quando o ambiente corporativo se tornou um fator causador de desgaste:
- Falta de Interação Espontânea: Profissionais isolados em computadores, evitando áreas comuns e sem momentos de troca interpessoal.
- Desaparecimento de Pausas: Rotina corrida em que intervalos para descanso são vistos como perda de tempo, acelerando o esgotamento.
- Esvaziamento das Relações Presenciais: Um ambiente com pessoas fisicamente presentes, mas sem trocas relevantes, apenas reproduzindo o trabalho isolado do home office.
- Desinteresse por Ações Internas: Baixa adesão a eventos, treinamentos e happy hours tradicionais, sinalizando a necessidade de renovação das experiências oferecidas aos funcionários.
- Elevação de Conflitos e Irritabilidade: Aumento de desentendimentos e menor tolerância entre membros da equipe diante do estresse acumulado.
- Falta de Espaços Multifuncionais: Ausência de divisão entre salas de alta concentração, áreas de colaboração em grupo e espaços para chamadas privativas.
- Rejeição ao Modelo Presencial: Percepção do escritório apenas como um local associado a custos de deslocamento, reuniões excessivas e cobranças formais.
Adaptação contínua e personalização da experiência corporativa
De acordo com o executivo, solucionar gargalos no ambiente de trabalho não exige necessariamente reformas estruturais dispendiosas, mas sim a capacidade de ouvir os colaboradores e adaptar o espaço às demandas reais do cotidiano:
“Não é fazer uma vez, gastar um caminhão de dinheiro e, no mês seguinte, aquilo já estar velho. É manter o fogo aceso. Às vezes, uma iniciativa simples, uma atividade diferente ou uma experiência nova tem mais impacto do que um grande investimento em uma estrutura que depois deixa de ser utilizada. Cada empresa tem uma cultura diferente. O primeiro passo é entender quem são aquelas pessoas e o que faz sentido para elas.”
O alinhamento entre a arquitetura corporativa, a cultura da empresa e a flexibilidade dos espaços físicos consolida-se, portanto, como uma ferramenta indispensável para sustentar a retenção de talentos e a produtividade das equipes.
