Enquanto o consumidor aguarda as promoções de novembro, a cadeia de suprimentos já acelera o planejamento para movimentar R$ 14,7 bilhões na principal data do varejo brasileiro
A Black Friday só chega em novembro para o consumidor final, mas a engenharia por trás do período promocional ganha ritmo bem antes. Nos bastidores da indústria, dos centros de distribuição e das transportadoras, o planejamento operacional para atender à demanda de fim de ano começa em agosto.
Projeções da Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia (ABIACOM) indicam que o e-commerce brasileiro deve movimentar cerca de R$ 258 bilhões em 2026. Desse total, as datas comerciais do segundo semestre representam R$ 65 bilhões em vendas — com a Black Friday liderando o faturamento, responsável por R$ 14,7 bilhões.
Para absorver o fluxo pulverizado que se estende ao longo de todo o mês de novembro, fabricantes já ajustam a produção e negociam fretes com antecedência para evitar gargalos operacionais e reajustes de última hora.
Antecipação e busca por carga fracionada
A urgência do planejamento antecipado reflete-se nos dados do Transvias, plataforma de inteligência e cotação de fretes. As consultas por transporte na plataforma registram um aumento médio de 25% entre o início de agosto e a primeira quinzena de novembro. A procura por operações de carga fracionada cresce até 28% no mesmo período, sinalizando o abastecimento descentralizado de estoques regionais. Eletroeletrônicos, moda e cosméticos figuram entre os segmentos que mais antecipam seus embarques.
Célio Martins, gerente de Novos Negócios do Transvias, reforça que a capacidade logística exige organização prévia. “Existe uma impressão de que a logística entra em cena quando a campanha começa. Na verdade, quando o consumidor recebe o primeiro anúncio da Black Friday, boa parte da operação já está acontecendo há semanas. Quem deixa essa conversa para outubro normalmente encontra um mercado muito mais pressionado”, analisa.
A pulverização das entregas para além das capitais ampliou a complexidade das rotas, tornando indispensável o uso de modelos compartilhados de transporte para otimizar frotas e encurtar o tempo de trânsito. “Hoje o desafio é entregar mais, para mais destinos e com prazos cada vez menores. Isso exige planejamento e inteligência logística”, conclui Martins.
Cinco erros que podem comprometer a logística na Black Friday
- Esperar outubro para contratar frete: A proximidade de novembro intensifica a disputa por espaço nas transportadoras, reduzindo a flexibilidade e elevando os custos de frete.
- Trabalhar sem previsão de demanda: A falta de análise de histórico e comportamento do consumidor compromete a distribuição de estoque e gera sobrecarga na operação.
- Concentrar a operação em um único centro de distribuição: A ausência de hubs regionalizados aumenta o custo de envio, estende os prazos e amplia o risco de desabastecimento local.
- Ignorar modelos de carga fracionada: O compartilhamento de capacidade operacional reduz custos de transporte e otimiza rotas de abastecimento no interior.
- Tratar a entrega como etapa secundária: Falhas na ponta final de entrega afetam diretamente a percepção de marca e anulam o investimento feito na atração do cliente.
