Por que vivemos o paradoxo de um momento histórico em que dominamos tanta informação e sofremos com paralisia de iniciativas de interesse coletivo? Onde erramos na trajetória que nos transformou de meros mamíferos para o que entendemos ser nossa civilização humana? Nossa sociedade chegou ao seu limite de sustentação pelas desigualdades crônicas de riqueza, informação e poder; a crescente e insana busca de fama, dinheiro e influência, caminhos de reorganização de prioridades pessoais, cria ruptura com os valores humanistas que nos diferenciam como espécie humana.

Sou o Gianm, e com muita satisfação iniciamos nossa jornada no Jornal Visão de Negócios. Estaremos quinzenalmente escrevendo e dialogando sobre desenvolvimento, cooperação e sustentabilidade, ou seja, sobre as realizações da sociedade que questionam e desafiam os formatos tradicionais de produzir, vender, participar e exercer nossa cidadania. Trabalho há 4 décadas em projetos que criam novos contextos, transformam e empoderam pessoas e organizações. Fomentar a cooperação, o associativismo, a cidadania e a solidariedade são as diretrizes do nosso trabalho, permitindo uma melhor distribuição de recursos e oportunidades.

Neste espaço vamos compartilhar experiências passadas e presentes: como animar um espaço urbano degradado? Como mudar a cultura de trabalho de produtores rurais familiares? Como preparamos nossos jovens para enfrentar o desemprego estrutural-digital? Como engajar mulheres num projeto de geração de renda? Como melhorar o clima da cidade com um programa de hortas comunitárias? Como resolver a fome do meu vizinho? Ajustamos nossas expectativas ao contexto, e raramente acreditamos no impossível – somos caçadores de um mundo melhor e possível, polinizadores de ideias e ações, somos artistas na arte de tecer redes, convergir interesses e provocar transformações, às vezes pequenas, muitas vezes invisíveis, mas nunca irrelevantes.

Entre os anos de 2007 e 2011 o Coletivo Mantiqueira, programa de formação de agentes socioambientais, mobilizou mais de 3000 pessoas em 11 cidades de nossa região. Dezenas de associações, escolas, prefeituras, universidades, artistas, empresas, engajados voluntariamente em discussões sobre educação para sustentabilidade – foram mais de 70 projetos desenvolvidos e muitos jovens participantes hoje ocupam posições de destaque na educação, na política ou no setor produtivo. Esforço coletivo com forte geração de impacto.

Como começou? No sonho de algumas pessoas! E foi se viabilizando com a captação dos recursos, com a identificação de lideranças, de agregar iniciativas similares para criarmos a comunidade de aprendizado necessária para desenvolver ações e colecionar resultados. E quanto custou? De verdade, não faço esta conta. O que tem valor é diferente daquilo em que podemos colocar preço. Aliás, quando colocamos preço, muitas coisas perdem o valor… Como podemos mensurar o custo ou “lucro” de uma iniciativa que por cinco anos mobilizou tantas pessoas e atividades? O que nos motiva nisso nem sempre é o custo/resultado financeiro, o que estamos semeando são relações mais colaborativas, educando para compreensão (óbvia) que todos navegamos no mesmo barco. Num momento histórico onde cada pessoa procura significar sua relação com o mundo a partir do próprio umbigo, vamos insistir nos modelos coletivos onde podemos aprender mais rápido e realizar mais coisas, redesenhando os códigos legais e morais que nos limitam, e construindo de forma ética uma nova sociedade. Este é o convite e a proposta da coluna SOCIEDADE EM MOVIMENTO. Participem, divulguem, deixem seus likes e… polinizem.

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1 comentário

  1. Excelente pessoa e profissional brilhante.
    Parabéns Gianmarco, estamos juntos ❤

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