(Este “manifesto” é para a gente refletir que em nosso caminho muitas vezes temos que lidar com pessoas difíceis; podemos escolher o confronto e viver a ilusão da “vitória”, que só existe onde alguém sempre se machuca, OU navegamos pelas águas do diálogo e da assertividade, exercitando nossa tolerância e fortalecendo nossa lucidez. Curta a leitura, e mande para quem precisa…palavras são sementes que, às vezes, brotam no coração…)

Quem de dentro de si não sai, vai morrer sem amar ninguém… (Berimbau – Baden – Vinícius de Moraes)

Criatura!! Explica para mim: onde foi parar a tua alegria? Cadê aquela pessoa curiosa, espontânea, divertida, disposta a aventuras, que não se incomodava com a aparência, que era capaz de olhar, compreender e empatizar com a realidade e a dor alheias?

O tempo te fez menos feliz? A vida não te ensinou o resiliente e inevitável aprendizado de como lidar com problemas do dia a dia? Por que a tua vida precisa ser um eterno pedido de atenção e cuidado, como se a humanidade te devesse algo?

Onde foi parar a tua capacidade nata de semear boas sementes, de construir relacionamentos, de se doar sem exigir nada de volta? Como será que te enxergam hoje as pessoas que te conheceram no passado, espantadas com tua insistência em julgar e condenar todo mundo à tua volta, com moralismos arcaicos ou novas moralidades inventadas, fazendo todos se sentirem miseráveis ou culpados por não agradarem teu ego?

Por que esse teu desejo de controle e comando te faz covardemente machucar as pessoas que não podem se defender de teus ataques ou sofrem com o conflito, por que simplesmente te amam? Amigos, familiares, colegas de trabalho, subalternos, atendentes, clientes, ou simplesmente os desavisados otimistas que se atrevem a te aconselhar e recebem teu ódio eterno… esquecestes da fábula do passarinho que diz: “nem todo mundo que caga na tua cabeça é teu inimigo, e nem toda pessoa que te tira da merda, é tua amiga”?

A inteligente escolha de aprender a conviver com pessoas diferentes faz de nós seres humanos mais evoluídos, mais maduros para lidar com as diferenças, compreender a dor e acolher quem precisa de ajuda. Quem não interage, não evoluí, não aprende e nem amadurece. O real poder não é subjugar o semelhante, mas conseguir exercitar a capacidade infinitamente humana de enxergar e reconhecer o outro! Quando fazemos de nossa própria existência uma amargura sem fim, atribuindo eterna culpa aos outros por não nos fazerem felizes, vivemos uma experiência terrena em profunda inquietação e sofrimento.

Então tu, infeliz criatura, compreenda o quanto antes a importância de tua jornada: assegura-te que as sementes na tua mão sejam próprias para dar flores e frutos – e se a tua colheita não é boa, talvez precises melhorar tuas habilidades de jardinagem…

Se te julgas acima dos outros e te enxergas como herói ou heroína, saibas a dura realidade: ninguém salva ninguém! E até nos supostos salvamentos, precisamos trabalhar em comunidade… e se te julgas a eterna vítima dos algozes da existência, piorou, porque ninguém vai te salvar, principalmente se tu fores uma pessoa insuportável.

No caminho da evolução pessoal, primeiro precisamos olhar a metade da taça que está cheia, honrar e agradecer nossa caminhada até aqui! Quem só olha a meia taça vazia, vive à deriva, num mar de escassez e ressentimento, insistindo na incapacidade de reconhecer os próprios erros, pedir desculpas ou dizer simplesmente obrigado!

A tua, a minha, e a jornada de cada um, é um assunto íntimo e sagrado. Faça da tua jornada uma caminhada de amor e aprendizado, sem colocar espinhos na caminhada alheia. Tu podes ser a solução e o apoio, jamais o fardo na vida de ninguém!

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