A Copa do Mundo sempre mexe com a gente.

Mesmo quem não acompanha futebol o ano inteiro, em algum momento acaba entrando no clima. Tem jogo que muda a rotina da empresa, muda o horário do almoço, muda o movimento dos bares, das ruas, das casas e até das conversas do dia. A Copa tem esse poder de criar uma energia coletiva difícil de explicar.

E para o brasileiro, existe uma camada a mais nisso tudo: o hexa. Mais de vinte anos esperando pelo sexto título, e toda Copa nova começa como se fosse desta vez. Reunião de empresa vira watch party. Grupo de família explode de mensagens. Até quem jura que não liga para futebol de repente tem opinião sobre a escalação. O hexa faz isso. Transforma uma competição em missão nacional. E a missão, como todo brasileiro sabe, começa renovada a cada quatro anos com a mesma fé, a mesma esperança e, às vezes, o mesmo resultado.

E existe uma razão para isso.

Em nenhum outro momento do calendário, milhares de pessoas em cidades diferentes, países diferentes, fusos diferentes, param simultaneamente para torcer pela mesma bandeira. Uma família no interior de São Paulo, um brasileiro morando no Japão, um torcedor num bar em Lisboa todos no mesmo jogo, no mesmo minuto, sentindo a mesma coisa. Isso é único. É o maior evento de audiência simultânea do planeta. E é exatamente essa simultaneidade coletiva que faz da Copa algo impossível de ignorar.

Mas, como eu sempre gosto de observar aqui nesta coluna, existe algo além do jogo.

O que cada cidade escolhe fazer com esse momento é o que diferencia. Atibaia escolheu criar um espaço para vivê-lo coletivamente. E é nesse ponto que entra o Atibaia Fest.

Quando Atibaia cria uma estrutura pública para acompanhar a Copa, ela não está apenas colocando um telão para as pessoas assistirem aos jogos. Ela está transformando um evento mundial em uma vivência local. Está fazendo com que a Copa saia da televisão e ocupe a cidade. Está devolvendo para a rua o que a tela individual tomou para si.

Inspirado na lógica das fan fests, esse tipo de evento mostra que assistir a uma partida pode ser muito mais do que sentar no sofá e torcer por noventa minutos. Pode ser um momento de encontro entre famílias, amigos, comerciantes, artistas, empreendedores e turistas. Pode ser cultura, gastronomia, música, lazer e, claro, futebol.

A Copa vira o motivo principal, mas tudo o que acontece ao redor dela também importa.

Quando uma família decide sair de casa para acompanhar um jogo em um espaço preparado para isso, ela se desloca, consome, encontra outras pessoas e permanece mais tempo circulando pela cidade. Pode comprar um lanche, tomar uma bebida, levar as crianças para uma atração, conhecer um expositor local, ouvir uma apresentação musical ou simplesmente viver um momento diferente em um espaço público.

Parece simples, mas é exatamente aí que a economia acontece.

Muitas vezes, quando falamos de esporte, as pessoas enxergam apenas o placar. Quem ganhou, quem perdeu, quem fez o gol. Mas por trás de qualquer evento esportivo bem organizado existe um ecossistema inteiro trabalhando alimentação, transporte, segurança, comunicação, montagem de estrutura, fornecedores, artistas, pequenos produtores, comerciantes, equipes de apoio. Grande parte desse impacto acontece de forma silenciosa. O público está ali para torcer, mas ao mesmo tempo a cidade está se movimentando.

Atibaia não precisa receber um jogo oficial da Copa para participar economicamente dela. Não precisa ter um estádio da competição ou uma seleção hospedada na cidade. Basta entender que um evento global pode ser adaptado à realidade local e gerar valor para quem vive, trabalha e empreende aqui.

Para os empresários, fica também uma reflexão. Estar próximo do esporte não é apenas colocar uma marca em algum lugar. É participar de momentos que geram emoção, memória e pertencimento. O esporte aproxima, conecta e cria vínculos com a comunidade de uma forma que nenhuma campanha isolada consegue replicar.

A Copa passa. Os jogos acabam. Mas a forma como uma cidade escolhe viver esse evento pode deixar aprendizados importantes para o futuro.

Quando a cidade abraça o esporte, a economia também entra em campo.

Até a próxima e vai Brasil!

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