Análise de especialistas aponta automação, soluções especializadas e governança de dados como fatores decisivos para a competitividade
A adoção de tecnologias digitais avançadas pelas indústrias brasileiras mais que dobrou em dois anos, saltando de 16,9% para 41,9%, segundo a Pesquisa de Inovação (Pintec), do IBGE. Para especialistas em Inteligência Artificial, esse movimento sinaliza uma transformação estrutural no ambiente produtivo e antecipa uma pressão crescente para que pequenas e médias empresas incorporem a IA de forma estratégica até 2026.
A análise das estrategistas Aline Lefol e Tiene Colins, especialistas em IA e coautoras do livro IA para Negócios – Guia Prático para PMEs, identifica três vetores que já moldam esse cenário: a consolidação da automação inteligente, o crescimento de soluções de IA especializadas por setor e a governança de dados como base para um crescimento sustentável. Segundo elas, o avanço observado na indústria tende a se intensificar nos segmentos de comércio e serviços, altamente dependentes de eficiência operacional e agilidade na tomada de decisão.
De acordo com Aline Lefol, CEO da IA2YOU e fundadora da BabyIA, a automação deixou de ser um diferencial competitivo e passou a integrar o mínimo necessário para competir. “A automação deixou de ser uma escolha estratégica e passou a ser uma necessidade operacional. As PMEs precisam de velocidade, soluções e processos inteligentes para competir em mercados cada vez mais exigentes”, afirma a executiva, que também lidera o Comitê de Empreendedorismo do Grupo Mulheres do Brasil – SJC.
Pesquisas setoriais reforçam essa tendência entre pequenos negócios. Levantamento da Serasa Experian aponta que quase metade das PMEs brasileiras já utiliza ou pretende adotar soluções baseadas em Inteligência Artificial, especialmente em áreas como marketing, atendimento ao cliente e otimização de processos. Dados da Microsoft Brasil indicam ainda que a maioria das micro, pequenas e médias empresas demonstra otimismo em relação ao impacto da tecnologia, associando o uso da IA a ganhos relevantes de agilidade operacional.
Para Tiene Colins, estrategista em Marketing e em IA Generativa, o impacto da Inteligência Artificial vai além da tecnologia em si. “Estamos diante de uma transformação organizacional. A IA permite que pequenas e médias empresas alcancem níveis de eficiência antes restritos a grandes corporações, mas isso exige estratégia clara e governança para que o crescimento seja sustentável”, explica.
Apesar do avanço, a adoção estruturada da IA ainda enfrenta obstáculos. Estudos do Sebrae indicam que a falta de conhecimento técnico e de orientação estratégica está entre as principais barreiras para a inovação nos pequenos negócios. Relatórios da AWS, como o Global Digital Skills Study e o Unlocking Brazil’s AI Potential, também apontam a escassez de habilidades digitais como um entrave relevante à adoção de tecnologias avançadas, especialmente entre PMEs.
Para Lefol, o caminho passa por projetos objetivos e conectados à realidade do negócio. “As PMEs não precisam de projetos complexos. Precisam começar certo, com foco em problemas reais, como atendimento, vendas, previsão de demanda e processos internos. É isso que gera impacto concreto e sustentável”, conclui.

