Mapeamento com mais de 27 mil inscritos na Serasa Experian revela presença expressiva de estudantes mais maduros, forte predominância da área de Tecnologia e impacto do estágio na renda familiar

Uma análise detalhada realizada a partir das inscrições do último processo seletivo da Serasa Experian — que reuniu 27.523 candidatos com CPFs únicos — revela transformações relevantes no perfil de quem busca ingressar no mercado corporativo. Longe de se restringir apenas aos jovens que saem diretamente do ensino médio para a graduação, os programas de estágio vêm atraindo profissionais que decidiram retomar os estudos ou mudar de carreira.

Os dados mostram que 32,9% dos inscritos têm 25 anos ou mais. Embora a faixa etária tradicional de 18 a 24 anos ainda represente a maioria (67,1%), a presença de estudantes mais maduros indica que as companhias precisam adaptar suas etapas de recrutamento para avaliar o potencial e a capacidade de aprendizagem, para além da idade do candidato.

Concentração etária e cursos de formação

Dentro do grupo de inscritos com mais de 25 anos, a fatia entre 25 e 34 anos é a mais expressiva, somando 27,7% do total de participantes. Os candidatos na faixa de 35 a 44 anos aparecem com 5,2%, enquanto faixas superiores somam percentuais residuais.

No recorte por área de conhecimento, os cursos voltados à Tecnologia e Computação lideram com folga o interesse dos estudantes, concentrando quase metade de todas as inscrições (47,2%). Em seguida surgem as carreiras de Negócios e Gestão (23,6%) e o bloco de Direito, Segurança e Relações Institucionais (8,2%). Por outro lado, segmentos como Ciências Exatas e Naturais (1,6%) e Meio Ambiente (0,9%) registraram os menores índices de participação.

Quanto à identificação de gênero, o levantamento aponta maior presença de mulheres cisgênero (45%) em relação aos homens cisgênero (39,9%). Outros 2,5% declararam demais identidades de gênero e 12,6% não registraram informação.

Retrato socioeconômico e alcance geográfico

A pesquisa também joga luz sobre a função socioeconômica do estágio. Entre os candidatos que declararam rendimento, 49% informaram renda familiar mensal de um a dois salários mínimos. O grupo com renda de três a cinco salários mínimos responde por 29,4%, evidenciando que a bolsa de estágio atua como ferramenta direta de mobilidade e transformação da renda familiar.

Geograficamente, o processo atraiu inscritos de todos os estados do país, com destaque para a Região Sudeste. O Estado de São Paulo reúne 45,9% dos candidatos, seguido por Rio de Janeiro (11,7%), Minas Gerais (7,8%) e pelo Distrito Federal (6%).

O mapeamento reforça que compreender os aspectos de renda, localização e diversidade etária permite às empresas revisar a acessibilidade de suas seleções, adequar benefícios e oferecer formatos de trabalho mais alinhados às reais necessidades dos estudantes.

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