Mudança para o imposto único cria novas despesas para associações, eleva tributos das SAFs e altera o custo de contratos de imagem de atletas

A reforma tributária, que iniciou sua fase de transição este ano, trará mudanças profundas na saúde financeira dos clubes de futebol brasileiros. O novo modelo substituirá tributos como PIS, Cofins e ISS pelo IVA Dual (IBS + CBS), alterando a forma como times organizados como associações e as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) lidam com o fisco.

O maior impacto imediato deve ocorrer nos contratos de direito de imagem. Atualmente, a tributação sobre valores pagos à empresa (PJ) de um atleta é de 3,65%. Com a nova regra, a alíquota deve saltar para a casa dos 26,5%. Quando somados outros impostos, o custo total dessa operação pode ultrapassar 35%, onerando significativamente as folhas de pagamento.

O sistema de “créditos”: a nova regra do jogo

A espinha dorsal da reforma é a não cumulatividade. Na prática, o imposto deixa de ser cobrado em “cascata”. O sistema funcionará como um mecanismo de créditos: toda vez que um clube comprar um produto ou serviço (como uniformes ou manutenção do gramado), o imposto embutido vira um crédito. Na hora de o clube pagar o imposto sobre suas receitas (venda de ingressos e patrocínios), ele usa esse “vale-desconto” para abater o valor.

Para os clubes-associação, que antes gozavam de amplas isenções, a mudança é drástica. Receitas que não eram tributadas, como bilheteria, passarão a sofrer uma taxação de 10,6%. O aproveitamento rigoroso dos créditos de despesas será a única forma de aliviar essa nova despesa no caixa.

Impacto nas SAFs e transferências

As SAFs também sentirão o peso da transição. O imposto sobre a receita desses clubes-empresa deve subir dos atuais 4% para 8,5% até 2033. Como esse regime possui limitações para o aproveitamento de créditos fiscais, transações no mercado interno (compra de jogadores entre times brasileiros) tendem a ficar mais caras do que a venda de atletas para o exterior, que permanece isenta de impostos.

Para Marcos Tadeu Jr, CEO da Invent Software e especialista em automação fiscal, os clubes precisam profissionalizar sua gestão contábil imediatamente. “A gestão fiscal deixará de ser apenas sobre pagar impostos e passará a ser sobre gerenciar créditos em tempo real. Quem não tiver tecnologia para fazer esse controle automático corre o risco de perder dinheiro por não recuperar créditos a que tem direito”, destaca.

Em um esporte onde cada centavo conta para a montagem do elenco, a eficiência fiscal em 2026 torna-se tão vital quanto o desempenho dentro das quatro linhas.

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