Especialista aponta que hard skills ganham protagonismo nos processos seletivos e permitem transições entre setores antes considerados distantes

São Paulo, fevereiro de 2026 – As competências técnicas específicas, conhecidas como hard skills, vêm se consolidando como motores de mobilidade profissional no mercado atual. À medida que empresas adotam processos de recrutamento cada vez mais centrados em capacidades reais — indo além do diploma — profissionais com formações técnicas tradicionais passam a encontrar oportunidades em áreas que antes pareciam fora de seu alcance.

Carolina Tzanno, gerente sênior de RH da Redarbor Brasil, detentora da Catho, observa que o mercado tem priorizado cada vez mais a capacidade de entrega prática. Segundo ela, empregadores buscam profissionais capazes de gerar soluções concretas rapidamente, o que depende de domínio técnico consistente. “Ao priorizarem o repertório técnico, as empresas fomentam mobilidades de carreira valiosas. Talentos com formação em exatas, como engenheiros e matemáticos, hoje migram com certa facilidade para o marketing digital ou análise de dados. Isso porque algumas habilidades comuns nessas áreas tornaram-se transversais, permitindo que aqueles que as dominam transitem entre distintos segmentos, desde saúde até tecnologia”, afirma.

O cenário é reforçado por dados do ManpowerGroup, que indicam que 81% das empresas enfrentam escassez de talentos no Brasil, percentual acima da média mundial, de 74%. A dificuldade, segundo o levantamento, está concentrada justamente em habilidades específicas, o que amplia o valor estratégico das hard skills.

A Pesquisa de Tendências 2026 da Catho também aponta quais competências técnicas devem ganhar ainda mais relevância no próximo ano. Entre elas estão inteligência artificial, fluência em idiomas, domínio do pacote Office e conhecimentos em análise de dados e business intelligence. O avanço dessas áreas evidencia um mercado que exige atualização constante e capacidade de adaptação.

Para Carolina, os dados confirmam que investir no desenvolvimento técnico é determinante para quem deseja se manter competitivo. “O profissional que se destaca é aquele que demonstra agilidade de aprendizagem e capacidade de converter conhecimento em solução, independentemente da área. Quando o saber fazer sobrepõe o título ou o diploma, a requalificação técnica pode ser o primeiro passo para uma possível transição ou evolução de carreira”, explica.

Embora habilidades comportamentais sigam sendo indispensáveis, a especialista destaca que, em processos seletivos cada vez mais disputados, o domínio técnico pode ser o fator decisivo. Em um ambiente de transformação constante, no qual fronteiras entre setores se tornam menos rígidas, as competências técnicas passam a funcionar como passaporte para novas oportunidades e trajetórias profissionais mais flexíveis.

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