Com Dia das Crianças e Halloween já superados, varejistas miram o pico de compras de novembro e dezembro; especialista alerta que tentar abraçar tudo dilui investimentos e defende foco na experiência do cliente
Com a virada para novembro de 2026, o varejo encerra os primeiros testes do segundo semestre — que já movimentou o comércio com datas como Dia das Crianças e Halloween — e entra na reta mais decisiva e lucrativa do ano. A partir de agora, as atenções e o caixa das empresas voltam-se exclusivamente para a sequência de peso que inclui as promoções de meio de mês (como o 11/11), a campanha de conscientização Novembro Azul, o pico de consumo da Black Friday no fim do mês e as compras de Natal e Réveillon em dezembro.
Apesar da expectativa de faturamento elevado, o volume de apelos comerciais criados mensalmente por marketplaces e redes sociais tem gerado sobrecarga operacional. Para Ângelo Vieira, diretor de Comunicação da Farmarcas, o maior risco para o comerciante neste momento é tentar aderir a todas as datas de maneira genérica, dispersando verba em ações que apenas geram barulho digital sem conversão de vendas ou fortalecimento de marca.
“Toda ação sazonal precisa ter um objetivo claro. Não basta gerar engajamento ou criar barulho nas redes sociais. O foco deve estar em como aquela iniciativa pode contribuir para aumentar vendas, melhorar a experiência do cliente e fortalecer o relacionamento com a marca. Quando isso não acontece, a empresa corre o risco de investir tempo e recursos sem obter retorno efetivo.”
O executivo ressalta que, especialmente na reta final de ano, a fidelização do público depende da qualidade da experiência e não apenas de liquidações agressivas que comprimem as margens de lucro. Elementos como ponto de venda atrativo, atendimento consultivo, clareza nas prateleiras e sortimento assertivo pesam mais na decisão de recompra do consumidor do que simples descontos isolados.
“A fidelização não nasce da promoção. Ela nasce da experiência. Uma ação sazonal bem executada envolve ambientação adequada, comunicação clara, atendimento de qualidade, conveniência e uma oferta que realmente faça sentido para aquele cliente. Tudo isso contribui para que ele retorne e mantenha um relacionamento duradouro com a marca.”
No varejo farmacêutico, por exemplo, a coerência com a rotina de cuidados do cliente tem sido a fórmula para sustentar resultados. Ações ligadas à prevenção, autocuidado, proteção solar e dermocosméticos — aliadas a campanhas como o Novembro Azul — alcançam desempenho superior por reforçarem o papel das farmácias como polos de saúde e orientação comunitária.
Com poucos dias para o fechamento dos estoques e das vitrines de final de ano, a recomendação para quem empreende é selecionar estrategicamente onde alocar energia. Para Vieira, o planejamento cirúrgico das próximas semanas é a chave para que os picos sazonais de novembro e dezembro se convertam em rentabilidade real e relacionamentos duradouros com a clientela.
