Querido(a) leitor(a), sabemos que a gestão de fluxo de caixa (FDC) dos nossos negócios é essencial. Os juros e a inflação continuarão elevados (em fevereiro está foi maior desde 2003 e no acumulado em 12 meses essa ultrapassou 5% pela primeira vez, desde 2023), os consumidores estão cada vez mais seletivos e cautelosos e as empresas disputam cada parcela de renda disponível das famílias.
Por essa razão, nesse artigo vou abordar dois temas: (1) meios de garantir e manter reservas de caixa para o devido cumprimento de obrigações recorrentes de curtíssimo e curto prazo; (2) formas de aplicação dessas reservas de caixa para fazer esses recursos trabalharem para a sobrevivência da sua empresa.
Podemos gerenciar o fluxo de caixa (FDC) da empresa com a doção de certas práticas. O objetivo deve ser manter um nível de recursos de elevada liquidez em montante suficiente para cobrir custos e despesas recorrentes da empresa.
Para tanto, é necessário planejar e prever as necessidades de FDC do seu negócio. Isso envolve elaborar orçamentos como meio de dimensionar as entradas e saídas de dinheiro. Esse procedimento permite antecipar a movimentação de caixa como meio de mitigar riscos de cobertura de gastos.
Outro ponto importante é adotar mecanismos de monitoramento e controle das Contas a Pagar e a Receber. Negociar e manter prazos para pagamento de fornecedores, evitando atrasos e multas, automatizar processos de cobranças como meio de evitar inadimplência e antecipar recebíveis em momentos de escassez de caixa por meio da prática de descontos para clientes que pagam à vista podem ser cruciais.
Além disso é preciso manter uma boa estratégia e política de gestão de estoques. O objetivo é evitar que haja excesso de estoques, uma vez que esses consomem boa parcela do caixa da empresa e possuem o que chamamos custo de capital. É preciso análise e planejamento como meio de garantir que os produtos e ou serviços demandados pelos seus clientes estejam sempre disponíveis na quantidade e momento certo.
Verifique com seu banco se há a oferta de linhas de crédito e financiamentos facilitados. Isso é importante para cobrir déficits temporários e a ideia é empregar essas fontes de recursos para manter níveis aceitáveis de capital de giro. Finalmente, é necessário estudar e dimensionar sua estrutura de custos. Ao fazer isso, você poderá identificar se há espaço para corte de custos, sobretudo custos fixos, e otimizar sua eficiência operacional; além disso, procure revisar suas despesas regularmente, eliminar gastos desnecessários e negociar melhores condições de preço e prazos de pagamento com seus fornecedores.
Seguidas as dicas acima, você precisa adotar meios de aplicar as suas reservas de caixa. O mercado dispõe de instrumentos financeiros de elevada liquidez, ou seja, aplicações que garantem rentabilidade, mas que podem ser sacadas sempre que sua empresa precisar de caixa.
Os bancos ofertam contas remuneradas (contas que oferecem rendimento diário sobre o saldo), Certificados de Depósito bancário (CDB’s) com liquidez diária que, além de seguros, rendem um percentual dos Certificados de Depósito Interbancário (CDI) – fundos negociados exclusivamente pelos bancos como meio de cobrir suas necessidades de fundos. Há também os Fundos DI ou de renda fixa, que são fundos nos quais gestores profissionais investem em títulos públicos e privados de curto prazo, proporcionando boa rentabilidade e elevada liquidez.
Alternativamente, há a opção de aplicação em títulos do Tesouro Direto, particularmente o Tesouro Selic – título emitido pelo governo que acompanha a taxa Selic, hoje em 13,25% a.a., e que pode ser resgatado no curtíssimo prazo. Aplicar em Notas de Crédito Bancário (LCI/LCA) também pode ser uma boa opção. Esses títulos apresentam liquidez diária e são isentos do Imposto de Renda (IR).
Para finalizar, há a inda opões de aplicações de médio prazo. Essas possuem maior rentabilidade, mas menor liquidez e são indicadas para aplicar recursos que podem ficar investidos por maior período. São os casos dos CDB’s com prazos fixos (90 dias a 2 anos), o Tesouro IPCA + ou prefixado (que protegem suas reservas da desvalorização provocada pela inflação ou garante uma taxa fixa), fundos de crédito privado ou debêntures que, embora mais arriscados, podem render mais que o CDI, e as Letras de Câmbio (LC’s), investimento privado com características semelhantes aos CDB’s.
Vamos em frente, dimensionando a necessidade de FDC, gerando e aplicando as reservas de caixa da empresa.

Marcello Muniz é economista e mestre em Engenharia pela USP. Com 20 anos de experiência profissional, é perito judicial, atua como Analista de Negócios junto à Data Science Business Management (DBSM) e é professor de Economia junto à Unifaccamp (de Campo Limpo Paulista) e Faculdade Impacta de Tecnologia (FIT).
Atuou como pesquisador da Divisão de Economia e Engenharia de Sistemas do IPT (DEES), consultor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Analista de Projetos da Fiesp.
Apaixonado por temas relacionados a políticas públicas e economia, autor do livro Matemática para Economia (Ser Educacional), participou na qualidade de coautor de 13 livros, entre esses: Política Industrial (Jornal Valor Econômico), Outward FDI from Brazil and its policy context (Vale Columbia Center on Sustainable International Investment), Gestão da Inovação no Setor de Telecomunicações (Fapesp) e Ressurgimento da indústria naval no Brasil (projeto-Ipea-BID).