Pesquisa da Serasa aponta que 53% dos pais brasileiros começam a abordar finanças antes dos 8 anos; especialista Ricardo Hiraki destaca como transformar a rotina em aprendizado sobre consumo consciente e planejamento

O ensino da educação financeira no ambiente familiar começa muito antes da primeira mesada e ganha espaço em momentos corriqueiros do dia a dia. Levantamento da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box revelou que 53% dos pais brasileiros iniciam as conversas sobre dinheiro com os filhos antes dos 8 anos de idade. Para 41% dos 1.112 responsáveis entrevistados, os primeiros anos do ensino fundamental representam a etapa ideal para introduzir o tema.

Para Ricardo Hiraki, administrador, CEO e cofundador da Plano Fintech, o aprendizado na infância não requer conceitos complexos sobre juros ou investimentos, mas sim a assimilação de que os recursos são limitados e que cada escolha de consumo gera uma consequência.

A urgência dessa conscientização aumentou com a digitalização dos meios de pagamento. O estudo indica que 73% das crianças e adolescentes acessaram o primeiro cartão ou conta bancária antes dos 15 anos, sendo que 39% movimentam valores via Pix. Segundo o especialista, a facilidade dos pagamentos por aproximação ou aplicativos pode tornar a saída do dinheiro invisível para os mais jovens.

“Mostrar o saldo antes e depois de uma compra é uma maneira simples de ensinar educação financeira para filhos e explicar que aquele valor saiu da conta. A tecnologia facilita o pagamento, mas os pais precisam ajudar as crianças a entender o que acontece por trás da operação.”

Cinco atitudes práticas para aplicar no cotidiano

  1. Estabelecer Limites para Pequenas Escolhas: Definir uma quantia fixa para a criança administrar durante um passeio ensina sobre restrição orçamentária e priorização.
  2. Comparar Preços Lado a Lado: Envolver os filhos na checagem de valores no supermercado ou em e-commerces introduz noções de consumo consciente e custo-benefício.
  3. Transformar Desejos em Metas: Orientar a criança a pesquisar o custo de um brinquedo e calcular quanto precisa poupar estimula o planejamento e a paciência.
  4. Trabalhar o Conceito de Renúncia: Explicar de forma clara que a decisão de gastar hoje impede a aquisição de outro item no futuro.
  5. Incluir as Crianças nas Decisões da Casa: Envolver os filhos na montagem da lista de compras ou no planejamento de passeios demonstra o funcionamento do orçamento familiar.

O papel da mesada e o aprendizado com os erros

Estudo publicado na revista Estudos Econômicos, da Universidade de São Paulo (USP), analisou dados de 38 mil adolescentes participantes da avaliação de alfabetização financeira do Pisa e identificou melhor desempenho entre jovens que recebiam mesada associada à orientação, sem vínculo direto com o cumprimento de tarefas domésticas de rotina.

Hiraki enfatiza que permitir que as crianças administrem seus próprios recursos inclui dar espaço para pequenos equívocos financeiros:

“Dar dinheiro sem conversar sobre escolhas não resolve o problema. Se a criança gastar todo o valor nos primeiros dias, por exemplo, essa experiência pode ensinar mais do que os pais simplesmente completarem o dinheiro que acabou.”

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