Com reservatórios operando na faixa de ‘Alerta’, redução na pressão da água e seca prolongada exigem estratégias de contingência de empresas, comércios e indústrias da região de Atibaia
A severidade da estiagem no Estado de São Paulo ultrapassou o alerta ambiental para se consolidar como um fator de risco operacional e financeiro para o setor produtivo. Com o Sistema Cantareira atingindo 34,5% de sua capacidade armazenada — patamar inferior aos 38% registrados no mesmo período do ano passado —, a bacia do Rio Atibaia entrou em estado oficial de “escassez hídrica”, segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a SP Águas.
O cenário impõe desafios diretos à continuidade de negócios nos setores industrial, comercial e de serviços espalhados por municípios como Atibaia, Bragança Paulista, Nazaré Paulista, Bom Jesus dos Perdões e Mairiporã. A previsão de estiagem prolongada até o final de novembro, combinada a temperaturas acima da média, já impacta o consumo e pressiona a infraestrutura local de abastecimento.
Gestão da demanda e reflexos na rotina produtiva
Para conter o esgotamento dos mananciais, a Companhia de Saneamento Ambiental de Atibaia (SAAE) adotou plano de contingência focado na redução programada de vazão e pressão nas redes de distribuição. A medida, embora essencial para preservar os reservatórios, gera instabilidade temporária na pressão e no fornecimento de água, exigindo adaptações imediatas por parte dos empreendedores locais.
Para estabelecimentos com alto uso do insumo — como hotéis, restaurantes, indústrias alimentícias, lavanderias e lava-rápidos —, a oscilação na rede pública obriga o acionamento de reserva técnica (caixas d’água e cisternas) e eleva a demanda por soluções complementares, como a contratação de caminhões-pipa, o que encarece o custo fixo de operação.
Sustentabilidade e continuidade de negócios
A orientação dos órgãos reguladores foca no estímulo ao uso racional e na redução drástica de perdas em processos internos. Empreendimentos que investem em tecnologias de reuso de água, captação de água da chuva e auditoria de vazamentos ganham previsibilidade frente à volatilidade do fornecimento.
À medida que os eventos climáticos extremos se tornam recorrentes, a gestão eficiente dos recursos hídricos deixa de ser uma pauta exclusivamente socioambiental para integrar a planilha de gerenciamento de riscos e governança das empresas da região.
