*Por Luany Carvalho Moraes e Gianmarco Bisaglia
Na série “Cooperação em Alta”, destacamos iniciativas que mostram como a união entre comunidade, produtores e poder público pode transformar realidades locais. Nesta reportagem, o foco é a Feira do Produtor Rural de Piracaia, um espaço que vai muito além da comercialização de alimentos: é um ponto de encontro, valorização cultural e fortalecimento da agricultura familiar.

Das primeiras barracas ao coração da cidade
A Feira do Produtor Rural teve início em março de 2015, no pátio do Sindicato Rural, a partir da mobilização conjunta de produtores locais, do próprio sindicato e do Departamento de Agricultura e Abastecimento do município. O objetivo era simples, mas potente: aproximar quem produz de quem consome, fortalecendo a economia local e garantindo acesso a alimentos frescos e de qualidade.
Com o crescimento do número de participantes, a feira rapidamente precisou de um espaço maior. Foi então transferida para a Praça Monsenhor Farah, localizada ao lado da Igreja do Rosário, onde encontrou mais espaço e estrutura, possibilitando inclusão de empreendedores do artesanato, gastronomia e cultura, ampliando a visibilidade e integração com o cotidiano da cidade, fazendo com que a feira deixasse de ser apenas um espaço de venda, para tornar-se um ponto de encontro e referência na vida urbana de Piracaia.

Alimento saudável e valorização do campo
A essência da feira está na oferta de produtos frescos, muitos deles colhidos no mesmo dia, vindos diretamente dos sítios da região. Frutas, verduras, legumes, pães, geleias, conservas e outros itens artesanais compõem uma diversidade que reflete a riqueza da produção local. A feira reúne dezenas de produtores locais, fortalecendo a agricultura familiar e promovendo o acesso da população a alimentos de qualidade.
Grande parte dos produtores se enquadra na agricultura familiar, o que reforça o caráter social da iniciativa. Ao criar um canal direto entre produtor e consumidor, a feira contribui para relações comerciais mais justas e fortalece a autonomia dos agricultores.
Além disso, há um incentivo constante à diversificação dos cultivos e à adoção de práticas sustentáveis, que resgatam saberes tradicionais e ampliam o repertório alimentar da população.

Um espaço de convivência e identidade
Mais do que um mercado a céu aberto, a feira se consolidou como um espaço de convivência; todas as sextas-feiras, no período da tarde, a praça ganha vida com música, encontros e trocas entre moradores e visitantes. A iniciativa também estimulou o surgimento de outras atividades no entorno, ampliando as oportunidades para diferentes perfis de empreendedores e fortalecendo o uso coletivo do espaço público.
Ao longo dos anos, a Feira do Produtor Rural passou a ser reconhecida como um símbolo da cidade, um lugar onde tradição e inovação caminham juntas, e onde o alimento carrega não apenas valor nutricional, mas também histórias, vínculos e pertencimento.
Resiliência e continuidade
Mesmo diante de desafios ao longo de sua trajetória, a feira se manteve ativa, adaptando-se às circunstâncias e reafirmando sua importância para a comunidade. Essa continuidade demonstra a força da organização coletiva e o compromisso dos envolvidos com o projeto – uma comissão formada por representantes dos expositores e por membro da Casa da Agricultura exerce a governança do projeto, cujos custos são divididos integralmente entre os empreendedores participantes; o projeto conta com apoio da prefeitura local, na zeladoria, limpeza e manutenção das instalações públicas.

Cooperação que gera impacto
A experiência de Piracaia mostra que iniciativas simples, quando sustentadas pela cooperação e pelo engajamento comunitário, podem gerar impactos profundos: promovem alimentação saudável, fortalecem a economia local, valorizam a cultura e transformam espaços públicos em territórios vivos.
A Feira do Produtor Rural de Piracaia é um exemplo concreto de como a articulação entre diferentes atores pode resultar em soluções sustentáveis e duradouras. Ao unir produção, cultura e cidadania, ela reafirma o papel da cooperação como caminho para o desenvolvimento local.
*O Escritório Fortes, iniciativa da ONG Mater Dei, atua justamente nesse campo: apoiando o Terceiro Setor, fortalecendo organizações e difundindo boas práticas sociais. A série “Fortes – Cooperação em Alta” nasce com esse propósito: dar visibilidade a experiências que inspiram e mostram que transformar realidades é possível quando se trabalha em conjunto.

Luany Moraes é estudante de Ciências Sociais na Unicamp. Desde 2022, atua como coordenadora de projetos e captação de recursos no Fortes – Escritório de Projetos da ONG Mater Dei, liderando a elaboração de propostas, a prospecção de parcerias e o acompanhamento de execução das iniciativas.

Empreendedor social, consultor empresarial, educador e músico, pai da Mariana e cidadão de Atibaia. Possui mais de 40 anos de trajetória profissional transitada entre o meio corporativo e o terceiro setor. Atualmente é dirigente da ONG Mater Dei de Atibaia-SP e violonista do grupo Eclético Musical.

