Mesmo com a revogação do imposto de importação de 20%, 87% dos brasileiros pretendem manter ou aumentar suas compras no comércio local; Congresso tem até setembro para decidir o futuro da medida

A recente revogação da chamada “taxa das blusinhas” não deve esvaziar o comércio brasileiro. Uma pesquisa de opinião realizada pela consultoria Plano CDE, a pedido da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), revela que 87% dos consumidores pretendem manter (66%) ou até aumentar (21%) o volume de compras em lojas nacionais, mesmo sem a cobrança do imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50.

O levantamento, que ouviu 1,5 mil internautas em junho, ganha força em um momento decisivo: o Congresso Nacional tem menos de dois meses para votar a Medida Provisória (MP) 1.357/2026, que suspendeu o tributo. Caso a matéria não seja aprovada pelos parlamentares até o dia 8 de setembro, a taxação de 20% voltará a vigorar automaticamente.

O estudo também mediu o impacto percebido pela população e o nível de rejeição ao imposto, que vigorou de agosto de 2024 até maio deste ano. De acordo com os dados, 70% dos entrevistados são contrários à tributação de baixo valor no e-commerce internacional, índice que chega a 71% entre as classes C, D e E. Além disso, 58% dos brasileiros avaliam que a taxa prejudicou os mais pobres e beneficiou apenas os grandes empresários, enquanto 56% acreditam que a cobrança não trouxe estímulos para o comércio local.

Corrida contra o tempo no Congresso

Para que a anulação da taxa seja definitiva, a MP precisa avançar nas comissões do Congresso e ser votada nos plenários da Câmara e do Senado. Até o momento, o texto recebeu 112 emendas, mas a Comissão Mista e a relatoria do caso ainda não foram definidas. Se o prazo expirar em setembro sem uma deliberação, o imposto reestabelecido incidirá novamente sobre as plataformas de comércio eletrônico.

A Amobitec defende que o fim do imposto de importação não significa isenção total, uma vez que as compras internacionais continuam sujeitas ao ICMS estadual (entre 17% a 20%) e, futuramente, à CBS com a Reforma Tributária. A entidade reforça que a aprovação da MP é fundamental para garantir segurança jurídica ao mercado e previsibilidade regulatória para plataformas e consumidores.

Destaques da Pesquisa

  • 87% dos consumidores vão manter ou ampliar compras em lojas nacionais.
  • 70% da população rejeita o imposto de importação de baixo valor.
  • 58% acreditam que a tributação prejudicou os mais pobres e favoreceu grandes empresários.
  • Prazo final: O Congresso precisa votar a MP até 8 de setembro de 2026 para evitar o retorno da taxa.
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