Modelo de pooling de embalagens reduz perdas, otimiza logística e fortalece práticas de economia circular
O setor de hortifrúti e supermercados enfrenta desafios históricos relacionados ao transporte e manuseio de produtos perecíveis, como frutas, verduras, legumes e ovos. Dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) mostram que cerca de 30% da produção nacional de frutas e hortaliças é desperdiçada anualmente no Brasil, sendo metade dessas perdas atribuída a falhas no transporte e manuseio inadequado. Esse cenário representa um prejuízo de aproximadamente US$ 1 bilhão por ano.
Pooling: embalagens retornáveis e gestão centralizada
Uma das soluções que vem ganhando espaço no mercado é o modelo de pooling, sistema baseado no compartilhamento de embalagens retornáveis, com gestão centralizada, higienização e logística reversa. Em vez de cada varejista comprar e administrar suas próprias caixas plásticas, os ativos são alugados e circulam por toda a cadeia: saem do produtor, passam pelo centro de distribuição, chegam ao supermercado e retornam para limpeza e redistribuição.
Esse sistema reduz o descarte de embalagens de uso único, favorecendo a economia circular e diminuindo custos operacionais. Além disso, as caixas são projetadas para melhorar a ventilação, reduzir danos aos alimentos e otimizar processos de transporte e exposição no ponto de venda.
Redução de custos e aumento da eficiência
O pooling proporciona ganhos logísticos e financeiros para supermercados e hortifrutis. O modelo elimina a necessidade de estoques elevados de embalagens próprias, libera espaço nos depósitos e reduz a mão de obra destinada ao controle desses ativos. Também favorece uma melhor ocupação de carga nos veículos, o que contribui para economia no transporte.
Para o setor de perecíveis, cada dia a mais de vida útil dos produtos pode significar a diferença entre lucro e prejuízo. Embalagens padronizadas e adequadas para cada tipo de alimento ajudam a preservar a qualidade e reduzir perdas. A implementação do pooling pode começar de forma gradual, com uma categoria de produtos ou um fornecedor específico, permitindo ajustes conforme as necessidades do varejo.
Sustentabilidade como resultado estrutural
No modelo de pooling, a sustentabilidade é consequência direta da operação. O reuso das embalagens por múltiplos ciclos reduz a produção de novos recipientes, gera menos resíduos e diminui emissões de gases poluentes, já que a logística é otimizada. Alguns tipos de caixas projetadas para perecíveis podem ser reutilizadas centenas de vezes antes da reciclagem, garantindo rastreabilidade e controle de qualidade em toda a cadeia.
Além de reduzir desperdícios, o sistema reforça compromissos com metas ambientais, sociais e de governança (ESG), cada vez mais valorizadas por clientes e investidores. Para o setor, que trabalha com margens apertadas, conquistar eficiência sem comprometer a qualidade é um diferencial competitivo.

