Especialista alerta que a qualidade da estrutura financeira é tão importante quanto o faturamento; estoque de crédito PJ já supera R$ 2,3 trilhões no Brasil

Em um cenário de crédito caro e seletivo, o desafio das empresas brasileiras vai além da geração de receita. Dados do Banco Central (BC) mostram que o estoque de crédito para pessoas jurídicas já ultrapassa R$ 2,3 trilhões, enquanto a Serasa Experian registra alta na inadimplência e nos pedidos de recuperação judicial. O impacto das dívidas no crescimento torna-se evidente quando o problema não é apenas o volume, mas a forma como o endividamento é estruturado.

Muitas organizações enfrentam um “custo invisível” ao utilizar linhas de crédito de curto prazo para sustentar despesas permanentes. Esse desequilíbrio pressiona o caixa e reduz a capacidade de investimento, mesmo em negócios com faturamento consistente. Segundo especialistas, a saúde financeira baseada apenas no lucro contábil pode ser ilusória se não houver um controle rigoroso sobre os encargos financeiros e o fluxo de caixa real.

O peso dos passivos fiscais

As dívidas tributárias costumam concentrar a maior parte da pressão financeira. Tributos em atraso, multas e juros crescem aceleradamente sem um acompanhamento técnico. Para Adria Ferronatto, advogada tributarista e vice-presidente do Grupo Villela, o erro mais comum é a falta de alinhamento entre a estrutura da dívida e a dinâmica do negócio. “Muitas empresas acabam pagando mais do que deveriam ou deixam de aproveitar mecanismos legais de redução e regularização”, explica.

A análise estratégica dos passivos — como prazos e taxas — é fundamental para eliminar ineficiências operacionais. Revisar contratos e reestruturar obrigações fiscais não deve ser apenas uma medida corretiva de crise, mas uma decisão estratégica para liberar recursos. “O problema não é a dívida em si, mas como ela é gerida. Bem estruturado, o passivo apoia o crescimento; mal organizado, ele limita decisões“, afirma Adria.

Gestão técnica e sustentabilidade

O acompanhamento contínuo das obrigações evita que a empresa atue apenas de forma reativa. Renegociar dívidas somente em momentos de sufoco mantém um ciclo de fragilidade que impede a expansão. Em um ambiente econômico sujeito a oscilações, a sustentabilidade do negócio depende da capacidade de estruturar passivos de forma eficiente.

O desafio das empresas brasileiras está em garantir liquidez e previsibilidade. Mais do que reduzir o endividamento, é preciso gerir as obrigações para garantir espaço para a expansão”, conclui a especialista do Grupo Villela.

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