Pesquisa mostra que administradores privados criticam excesso de normas, enquanto servidores apontam tecnologia obsoleta; descontinuidade política é vista como o principal obstáculo ao avanço tecnológico

A percepção sobre as maiores ineficiências do setor público brasileiro muda drasticamente dependendo do lado da mesa em que o profissional de Administração está sentado. É o que revela um levantamento do Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP), realizado com 569 administradores entre janeiro e fevereiro de 2026.

Para os profissionais que atuam no setor privado e os liberais, o principal gargalo da máquina pública é o excesso de normas e regulamentações conflitantes. Já para quem vive a rotina do funcionalismo público, a maior barreira de eficiência é interna: a tecnologia obsoleta e a falta de integração entre os sistemas estatais.

O estudo também expôs visões distintas sobre a gestão de pessoas. A insatisfação com os modelos de recursos humanos no Estado é significativamente maior entre os próprios servidores (33,3%), que criticam a rigidez na progressão de carreira e a falta de metas de desempenho. Entre os profissionais da iniciativa privada, apenas 22,6% enxergam esse ponto como o gargalo prioritário.

Descontinuidade política é consenso como barreira tecnológica

Se por um lado há divergência sobre os gargalos do presente, por outro existe consenso absoluto sobre os desafios do futuro. Ao serem questionados sobre o que impede a implementação de ferramentas modernas — como Inteligência Artificial, análise de dados e novas infraestruturas de rede —, a maioria dos entrevistados de todos os grupos apontou a ausência de planejamento de longo prazo e a descontinuidade administrativa gerada pelas trocas de governo.

Essa falta de visão continuada foi destacada por 50,9% dos administradores públicos, 44,8% dos liberais e 41,9% dos profissionais do setor privado. Em segundo lugar, a resistência cultural à mudança por parte de servidores e lideranças foi citada por cerca de 20% a 23% dos participantes em todos os segmentos.

Onde a gestão técnica pode gerar impacto imediato

O levantamento reforça que a presença do profissional de Administração é indispensável para modernizar o Estado, embora cada setor veja prioridades diferentes para essa atuação:

  • Sob o olhar do setor público: O impacto mais urgente do administrador está no Planejamento Estratégico e Orçamentário (29,1%), alinhando o Plano Plurianual (PPA) à execução prática das políticas públicas.
  • Sob o olhar do setor privado: A contribuição mais necessária deve focar em Governança, Compliance e Transparência (24,2%) e na Gestão de Projetos (23,4%), garantindo prazos e orçamentos rigorosos para entregas à sociedade.

“O levantamento é fundamental para entender o que os profissionais de Administração pensam sobre o setor público. Precisamos ouvir quem vive o dia a dia da gestão, pois só assim vamos entender os problemas reais. O administrador tem o conhecimento técnico necessário para melhorar a entrega de valor para a sociedade”, destaca Daniel Sguerra, gerente de Relacionamento do CRA-SP.

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *