Ao Mestre Jorge Dias, gratidão pelas jornadas de xadrez!!

Uma mesa com seis caçapas, onde se bate com um taco de madeira em uma bola branca, procurando colocar as bolas coloridas nas caçapas. A sinuca é provavelmente um dos jogos mais populares do Brasil – não existe cidade do país que não tenha uma ou várias mesas em clubes, academias, barbearias, e óbvio, botecos!

Eu jogo sinuca desde criança, com a memória das competitivas tardes de domingos com tios e avôs (sim, era reduto masculino). Para mim, mais que um jogo, a sinuca é fonte permanente de aprendizado sobre controle, planejamento, estratégia e conhecimento da natureza humana.

Na modalidade mais popular, o mata-mata, cada jogador vence ao se desfazer de suas 7 bolas. O primeiro grande engano de quem joga, é acreditar que basta a habilidade de matar as bolas, mas ganha o jogo quem tem a habilidade de não deixar o adversário fazer exatamente isso. Ao impedir que o adversário tenha condição de evoluir no jogo, minamos secretamente sua confiança… na sinuca, ao contrário de outros esportes, a defesa é o ataque. Assim podemos até vencer um adversário mais forte, utilizando estratégia para equilibrar a partida. Como na vida, é preciso sangue frio – o que parece derrota rapidamente se converte em vantagem competitiva – a sinuca funciona como o xadrez, onde há uma sequência certa para fazer as jogadas, melhorando a posição de suas bolas, evitando riscos e deixando o ataque para o momento certo. É um jogo onde devemos controlar nosso ego e não cair na tentação de “matar” as bolas fáceis, mas sempre posicionar melhor as bolas difíceis.

Na sinuca não se pode ter a improvisação como regra, só como último recurso – adoramos ver jogadas mirabolantes de jogadores profissionais, mas no dia-a-dia do bar, o feijão com arroz é que paga as contas, o que não impede de sermos criativos e termos repertório de jogadas “mágicas” para sair de uma “sinuca” (que quando a bola branca fica numa posição que o adversário não consegue atingir nenhuma de suas bolas). Curiosamente, apesar de ser uma regra (e o nome) do jogo, muitos adversários reclamam quando são “sinucados” e perdem o pleno domínio sobre o seu território de jogo – muitos brigam e dizem que o “prego” é jogo sujo e desleal; me lembra muito o político reclamando da constituição e do poder judiciário que não colaboram com seu projeto de poder…

Sinuca é um jogo onde precisamos conhecer rapidamente o perfil do adversário – seu grau de habilidade, sua autoconfiança, seu medo de perder e a vontade de ganhar – isso define a estratégia. Mas só a estratégia não basta: precisamos estar inteiros, de corpo, mente e coração – apurar o olhar, alinhar pernas, tronco e braços em cada jogada, calibrar a força e forma de cada tacada, dar direção com movimento preciso de braço e cotovelo, ora com força e ora com leveza. A descontração nos leva a errar bolas fáceis – o que nos dá clara percepção de quando perdemos ou quando o adversário ganhou de fato. Geralmente perdemos para nós mesmos…  

Na sinuca ainda prevalecem outros dois fatores: o talento e a sorte

Um jogador talentoso que aprende estratégia vencerá quase sempre. Inegável.

Sinuca não é um jogo de azar, mas um jogador sortudo poderá vencer aleatoriamente um ou outro jogo, embora em cada jogada “louca” se arrisca a perder mais do que ganha… inegável também!

Nesta altura não preciso fazer paralelos do jogo com a vida, com o nosso desenvolvimento pessoal, com a forma como atuamos na sociedade, nos negócios, no trabalho, ou muitas situações de aprendizagem que demandam foco, senso crítico, controle emocional, preparo técnico e muita vontade de vencer. E vamos encarar situações aparentemente impossíveis, que muitas vezes resolveremos com pragmatismo, técnica e… criatividade!

Bora jogar uma??

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