Para a ASSIMPI, nova sobretaxa de 25% anunciada pelo governo americano se soma à tarifa prévia de 12,5%, inviabilizando contratos e pressionando fornecedores no Brasil

A Associação Nacional dos Sindicatos da Micro e Pequena Indústria (ASSIMPI) manifestou preocupação com os desdobramentos do novo encargo de 25% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A nova alíquota soma-se à tarifa de 12,5% já aplicada na rodada anterior de sobretaxas pelo governo americano, elevando a taxação combinada a um patamar próximo de 40% sobre parte da pauta exportadora do país.

Segundo Joseph Couri, presidente da entidade, um impacto tarifário dessa magnitude é impossível de ser absorvido pelas empresas sem que haja o rompimento ou renegociação de contratos e prazos consolidados ao longo de anos.

“Não existe nenhuma empresa, de que nós tenhamos conhecimento, que consiga absorver o impacto de uma tarifa de 25% a mais, somada aos 12,5% que já vinham sendo cobrados desde a rodada anterior de tarifação americana”, afirma Couri.

Efeito em cadeia e risco no crédito

O dirigente explica que a conquista de clientes no comércio internacional exige meses de prospecção, investimentos em certificações e etapas de logística. Após o fechamento de pedidos garantidos por cartas de crédito bancárias, uma elevação abrupta nas tarifas quebra a confiança entre exportadores, compradores e o sistema financeiro.

“Você conseguiu conquistar o cliente, teve despesas fantásticas para isso, fecha o pedido, vai ao banco, pega uma carta de crédito garantindo a operação, e aí tem um impacto de 25%”, destaca Couri.

O efeito mais grave atinge as micro, pequenas e médias empresas que atuam como fornecedoras de grandes exportadoras ou de tradings. Mesmo sem exportar diretamente para o mercado norte-americano, a cadeia produtiva nacional sofre o impacto indireto da sobretaxa.

Reciprocidade e pauta do MEI

Diante do cenário, a ASSIMPI defende que o governo brasileiro mantenha na mesa de negociações o princípio da reciprocidade previsto em lei, visando o equilíbrio comercial entre as nações.

“A retaliação ou a reciprocidade, eu acho que ela tem que estar na mesa, sim”, afirma o presidente da entidade, ressaltando que a lista de isenções do governo americano contempla majoritariamente itens de consumo interno nos EUA.

Couri também correlaciona a crise tarifária a uma pauta represada no Congresso Nacional: a atualização do teto de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI). Segundo a entidade, o teto atual está defasado em 82% em relação à inflação acumulada desde a sua criação, o que aprofunda a fragilidade do setor em um momento de incerteza global.

“A empresa que faturava 100 reais na introdução do MEI, hoje, para continuar lá, só pode faturar 18 reais”, conclui o dirigente, ressaltando a urgência do tema para proteger a base dos pequenos negócios no país.

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