As cidades que mais prosperam não são, necessariamente, aquelas que possuem mais recursos, são aquelas que sabem que caminhos trilhar para onde querem chegar.
Assim, além da governança regional e da inteligência territorial, torna-se fundamental construir um Plano Regional de Desenvolvimento da Economia Criativa e Solidária 2026–2036.
Planejamento de longo prazo não significa prever o futuro, significa preparar o território para diferentes cenários, significa unir todos os setores, obter dados precisos, diagnosticar dificuldades, levantar potenciais, articular desenvolvimento com propósitos bem definidos e compartilhados, promover o crescimento com qualidade de vida.
Esse plano poderia estabelecer objetivos claros para os próximos dez anos.
Entre eles, ampliar a participação da economia criativa no Produto Interno Bruto regional; fortalecer cooperativas e associações; incentivar a sucessão no campo; consolidar roteiros integrados de turismo; ampliar o número de empreendedores capacitados; estimular incubadoras de inovação; promover a transformação digital dos pequenos negócios; incentivar compras públicas locais; ampliar a inserção de jovens e mulheres no empreendedorismo e fortalecer práticas ambientalmente sustentáveis.
Para alcançar essas metas, seria necessário organizar projetos estruturantes.
A criação de centros regionais de inovação, espaços colaborativos de trabalho, laboratórios de economia criativa, programas de aceleração de cooperativas, fundos de financiamento, plataformas digitais de comercialização e redes de capacitação permanente são algumas iniciativas capazes de gerar resultados duradouros.
O plano também deveria estabelecer indicadores de acompanhamento.
Definir metas é importante, mas insuficiente, é preciso ir além, monitorar sua execução, avaliar resultados e realizar ajustes sempre que necessário.
Outro princípio importante seria a participação social. Um plano construído apenas por especialistas dificilmente representa a diversidade do território. Agricultores, artistas, empresários, educadores, jovens, lideranças comunitárias e representantes das cooperativas precisam participar da definição das prioridades. Nesse rol estão os verdadeiros protagonistas do processo de desenvolvimento.
Mais importante do que elaborar um documento é construir um compromisso coletivo com o futuro da região, é aglutinar os agentes públicos e privados diretamente com as forças vivas comunitárias, sociais e organizadas de quem faz acontecer nos diversos meios criativos e solidários.
O desenvolvimento sustentável nasce quando diferentes gerações compartilham um mesmo projeto de território, perpetuam quando desenvolvem culturalmente suas atividades em realização econômica, bem estar social, físico, mental, psicológico e espiritual.
A região de Atibaia reúne condições para construir essa visão. Possui localização privilegiada, riqueza ambiental, tradição produtiva, diversidade cultural, capacidade empreendedora e instituições consolidadas.
Transformar essas potencialidades em um projeto regional é talvez o maior desafio, é também uma grande e promissora oportunidade para a próxima década.
O desenvolvimento não acontece por acaso, ele é resultado de escolhas feitas no presente. As decisões tomadas hoje definirão a região que entregaremos às próximas gerações, essa responsabilidade bate à nossa porta.
Até o próximo artigo e novas reflexões.

Bragatto é graduado em Gestão Estratégica Empresarial e possui ampla experiência no setor financeiro pelo Banco do Brasil. Como Gestor Público em São Carlos-SP, foi Secretário de Trabalho, Emprego e Renda, destacando-se no desenvolvimento da Economia Solidária e Criativa, além de sua participação no Fórum Social Mundial como membro do Fórum Paulista e da Rede Nacional de Gestores em Economia Solidária.
Ocupou a presidência da Progresso e Habitação de São Carlos S/A (PROHAB), implantou a Secretaria de Administração Regional e exerceu quatro mandatos como vereador. Atualmente, é Secretário Adjunto de Relações Legislativas e vice-presidente da UVESP.
Com forte atuação em temas como Valorização da Vida, Inteligência Emocional, Saúde Mental e Desenvolvimento Humano, é um palestrante requisitado por empresas, universidades e setores públicos. Para Bragatto, compartilhar gera evolução, e cuidar de pessoas promove desenvolvimento, melhores resultados e satisfação—todos por um mundo melhor.
