Estudos internacionais da PwC e Deloitte revelam que automação sem revisão de cultura, julgamento e conduta humana pode acelerar processos sem melhorar decisões estratégicas

O avanço acelerado e a popularização da inteligência artificial generativa nas empresas exigem uma reformulação profunda nas competências exigidas para cargos de gestão e comando corporativo. O estudo Global AI Jobs Barometer 2026, conduzido pela PwC com a análise de mais de 1 bilhão de anúncios de empregos em 27 países, aponta que as habilidades exigidas em funções expostas à IA estão mudando duas vezes mais rápido do que em cargos não afetados pela tecnologia. Além disso, cargos de entrada com alta exposição à IA passaram a exigir sete vezes mais competências humanas avançadas — como liderança, criatividade e inteligência socioemocional.

Apesar da busca por eficiência, pesquisas mostram um descompasso entre a implementação de ferramentas tecnológicas e a maturidade da gestão. Dados do relatório Global Human Capital Trends 2026, da Deloitte, revelam que apenas 6% dos líderes afirmam estar avançando na estruturação do trabalho conjunto entre pessoas e inteligência artificial, embora 65% das organizações reconheçam a necessidade de mudanças profundas em sua cultura corporativa.

Para o estrategista de Business Performance e pós-graduado em Neurociência, Thiago Shimada, dominar o uso de softwares e prompts representa apenas uma fração do processo de adaptação das lideranças:

“A tecnologia amplia a capacidade de execução e coloca mais informação à disposição de quem decide, mas isso aumenta a importância de saber interpretar contexto, conduzir pessoas, estabelecer critérios e assumir responsabilidade pelas escolhas feitas. A automação acelera análises, mas não substitui a capacidade crítica de questioná-las ou o julgamento sobre impactos humanos e estratégicos.”

Cinco indicadores de despreparo da liderança diante da IA

O especialista aponta comportamentos recorrentes que sinalizam quando a adoção de tecnologias nas empresas superou a capacidade de gestão das equipes:

  • Aumento de Volume sem Ganho de Qualidade: A automação gera mais relatórios e pesquisas em menos tempo, porém as decisões estratégicas permanecem idênticas ou descontextualizadas.
  • Substituição do Julgamento Crítico: Aceitar recomendações automáticas de algoritmos sem questionar as premissas, lacunas ou efeitos de longo prazo da escolha.
  • Ausência de Diretrizes e Governança: Estimular o uso de ferramentas digitais sem alinhar parâmetros claros de confidencialidade de dados, responsabilidade pelas entregas e limites de segurança.
  • Persistência de Conflitos Interpessoais: Crer que ferramentas digitais solucionam ruídos de comunicação, falta de confiança ou resistência a mudanças sem o fortalecimento de competências socioemocionais.
  • Foco Excessivo na Execução Técnica: Medir o valor do líder pela capacidade de executar tarefas operacionais, ignorando o papel de direcionar a cultura e desenvolver talentos.

Desafio de Governança e Diretrizes Práticas

Pesquisas do Gartner corroboram a urgência de estabelecer governança e clareza operacional: enquanto 46% dos gestores utilizam IA para otimizar suas rotinas, apenas 14% afirmam não enfrentar desafios para orientar e gerenciar o uso efetivo da tecnologia por parte de suas equipes.

A consolidação de equipes de alta performance na era da inteligência artificial exige, portanto, que empresas invaçam na capacitação de líderes para além do conhecimento técnico, combinando governança de dados, inteligência socioemocional e alinhamento de expectativas corporativas.

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