Apesar da projeção de alta de 2,4% na economia, juros elevados e concentração bancária restringem acesso a financiamentos e afetam investimentos
O Banco Mundial projeta um avanço de 2,4% no PIB brasileiro em 2025, mas o otimismo com o crescimento econômico contrasta com a realidade enfrentada pelas empresas: o volume total de concessões de crédito no país caiu 3,3% no último mês, evidenciando a dificuldade crescente de acesso a financiamentos por parte de companhias e pessoas físicas.
Com a Taxa Selic em 15% ao ano — o maior patamar desde 2006 —, o custo do crédito se mantém elevado. A concentração bancária, o baixo nível de renda e a alta carga tributária agravam ainda mais o cenário. Segundo o ranking global da MoneYou e da Lev Intelligence, o Brasil encerrou setembro com 9,51% de juros reais, ficando atrás apenas da Turquia, que registrou 12,34%.
Para Luciano Bravo, CVO da Inteligência Comercial, a manutenção de juros altos tem reflexos diretos na economia real.
“Ter uma taxa de juros alta não contribui em nada para o avanço da cadeia produtiva. O Brasil vive um processo de desaceleração há mais de 20 anos, e isso é um problema que precisa ser combatido na raiz”, afirma Bravo.
O especialista explica que o encarecimento do crédito reduz a oferta de financiamentos e leva empresas a adiarem planos de expansão e investimentos, com efeitos negativos sobre a geração de empregos e o ritmo de crescimento do país.
Apesar do avanço no PIB, o desempenho ainda é considerado modesto diante do potencial brasileiro. Bravo defende que a entrada de capital estrangeiro seria fundamental para destravar o desenvolvimento econômico.
“Se colocássemos apenas 500 empresas no crédito internacional por ano, captando recursos por meio da emissão de dívida estruturada na Europa e nos Estados Unidos, o Brasil teria capacidade de crescer 30% em cinco anos — uma média de 6% ao ano, um PIB chinês no nosso país. Isso só é possível se alinharmos o processo de injeção de capital estrangeiro à cadeia produtiva”, conclui.

