Caros leitores!!
Muitos sabem que atuo com prefeituras desde os anos 80, no papel de parceiro institucional, prestador de serviços ou analista de políticas públicas. No Brasil, conheci e atuei junto a mais de 250 prefeituras, nos estados de SP, MG, PR e ES. Conheci os mais diversos contextos e perfis de gestores municipais, e listo aqui uma lista de erros mais comuns cometidos na rotina da administração municipal!
Mandem para seus políticos conhecidos!
1.Continuar em campanha depois da eleição!
A mentalidade e linha de ação que embasam uma campanha política são diferentes da energia da gestão municipal; basicamente paramos de fazer promessas e passamos a gerir entregas; O tempo de adequação entre as duas fases (transição de governos, primeiros seis meses*) é o vai determinar o grau de maturidade e competência de gestão, onde a equipe política deve rever o seu plano de governo e identificar prioridades reais adequadas ao contexto orçamentário da prefeitura.
2.Promover a perseguição política de adversários
A gestão municipal já vai tomar muito tempo – prefeitos e prefeitas que uma vez eleitos iniciam jornada de perseguição a desafetos políticos como empresários e lideranças locais, servidores, imprensa, perdem tempo valioso para cuidar do que realmente importa no governo – as entregas! Quem ficar repisando as mágoas partidárias e promovendo vendetas, cria mártires, e pode até criar pautas para manter a oposição ativa. Particularmente os servidores municipais “opositores” devem ser acolhidos de forma honesta (e nunca perseguidos), e valorizados na sua função de servir à cidade. Aos perdedores, a indiferença!
3.Priorizar compromissos partidários à qualidade técnica na montagem da equipe
Se eu puder indicar o maior sorvedouro de recursos públicos apontaria em primeiro lugar a má gestão. Por maiores que sejam os compromissos partidários firmados durante campanha, o prefeito ou prefeita precisa ter a coragem de se cercar de gente competente, que possibilitem administrar oportunidades. Lotear secretarias estratégicas é aceitar goela abaixo pessoas sem capacitação técnica ou gerencial, um incêndio que precisará ser apagado todos os dias pelo resto do mandato. É mais fácil administrar uma crise política com um parceiro apoiador do que administrar as consequências de incompetência técnica ou de gestão, que geram impacto negativo junto à população, risco de ou lides judiciais e denúncias ao Ministério Público…
4.Não pensar estrategicamente ao trazer “pessoas de confiança”
Na gestão municipal alguns cargos estratégicos devem ser de exclusiva escolha do prefeito(a): chefia de gabinete, secretaria de governo, secretaria de comunicação e de finanças – são funções ditam o ritmo e a direção do governo. Para além dos óbvios critérios de confiança e competência, é importante observar se possuem o perfil e talento de articulação política, e conhecimento mínimo dos processos de gestão pública. Estes profissionais precisam conhecer um pouco de cada uma das pastas para fazer funcionar o governo: o prefeito(a) irá delegar nestas funções parte de suas atribuições, que não podem ser comprometidas por desalinhamento técnico ou inabilidade relacional.

5.Centralizar poder e decisões
O papel da Prefeita ou Prefeito é prefeitar! Isso demanda participar do jogo político – relação com secretarias estaduais, ministérios, agências de fomento e cooperação, consórcios, governantes e parlamentares – que possam trazer oportunidades e recursos para o seu município. Ao staff do gabinete deve ser delegada a responsabilidade de gerir o dia a dia da prefeitura. Quando o(a) alcaide-mor da cidade se põe no papel de gerente, interferindo em decisões técnico-operacionais, esvazia a liderança do gabinete e seus secretários. Nesta “síndrome de controle” o(a) dirigente perde seu papel de perceber e avaliar os reais riscos políticos da gestão. O caminho é montar uma equipe competente, e garantir que ela atue no rumo certo, para que o prefeito tenha liberdade de articular recursos e oportunidades, cabendo ao seu time transformar intenções em ações concretas durante o mandato.
6.Não implantar sistemas de controle e feedback adequados
Gestão sem monitoramento não existe! A avaliação das ações e realizações do governo precisam se pautar em critérios técnicos, colher opiniões isentas da população atendida, ou medir impactos e resultados das decisões e investimentos. Uma ouvidoria municipal independente, sistemas de avaliação e monitoramento (ex. KPI, Balanced Scorecard, etc.), que tragam informações reais sobre o desempenho de gestão. Mas é muito bom também ouvir o coração da cidade (a rede orgânica que nunca mente) – audiências públicas, governo itinerante, participação e valorização dos conselhos municipais, presença e relacionamento com instituições privadas, são iniciativas de baixo custo e alto retorno para gerar indicadores e informações essenciais para correções de operação e ajustes no plano de governo.
7.Destruir o que já estava feito
É um clássico mundial da atividade política apagar da história o que foi realizado por governos anteriores. Na gestão municipal deve prevalecer o pragmatismo – atividades, programas, projetos e parcerias de outras administrações devem ser reavaliados pelo custo-benefício – qual o investimento público, o que geram de resultado e retorno à comunidade e qual o impacto político de manter ou encerrar a atividade. Algumas realizações podem até ser interessantes e merecerem continuidade – nesses casos, apoie, melhore, amplie, reembale e renomeie se necessário – gestão competente olha os interesses da cidade, e não do governo.
8.Esquecer a serviço do que estamos…
A diferença entre um estadista e um político comum se inicia na autoimagem: “como eu me vejo na história?” Ocupar cargo político não se trata só de poder, mas compreensão do legado possível que se pode deixar. O papel dos prefeitos é servir à cidade. Isto se faz com planejamento, diálogo com a sociedade, competência técnica e liderança. O legado não vem da pessoa ou da imagem que ela projeta, mas do que ela efetivamente faz e constrói. As obras e realizações falam por si – e é sempre mais fácil fazer marketing de um governo que faz suas entregas!!
(*) ver meu artigo “Acabou o Crédito” https://jornalvisaodenegocios.com.br/acabou-o-credito/

Empreendedor social, consultor empresarial, educador e músico, pai da Mariana e cidadão de Atibaia. Possui mais de 40 anos de trajetória profissional transitada entre o meio corporativo e o terceiro setor. Atualmente é dirigente da ONG Mater Dei de Atibaia-SP e violonista do grupo Eclético Musical.

