À véspera de iniciarmos mais um ciclo eleitoral, confesso que sinto um cansaço profundo…

…nada a ver com o que nós, cidadãos comuns, terrenos, mortais, precisamos lidar no cotidiano – comprar, vender, pagar, criar filho, sobreviver com alguma dignidade neste caos absurdo, no qual enganamos nós mesmos ao chamá-lo de “sociedade”!

Deposito poucas esperanças de ouvir debates edificantes para convencer o eleitorado brasileiro, que de tão anestesiado, no fundo está nem aí para essa balela toda. Teremos provavelmente uma disputa política com pouca ética ou moral, excesso de informação sensacionalista para puro entretenimento, e zero debate político. É de novo o monocórdio “nóis contra eles” – guerra de totens gritando palavras de ordem para os patriotas de plantão se alienarem ainda mais – vamos repetir o “Lula Ladrão” X “Anistia ao Miliciano” … como se a justiça merecesse estar nas bocas canalhas de quem vilipendia a pátria a cada dia – e ainda é cega, a coitadinha!

As pessoas sempre esperam da classe política o que ela não tem condição de entregar – dignidade, respeito pela coisa pública, competência de gestão, e um caminho de desenvolvimento que promova qualidade de vida e prosperidade para todos e todas… o prêmio não vem, e para não pirar de vez, colocamos a frustração na conta do criador: tudo é a vontade de Deus! Mas a conta não fecha. No país de elites e farsantes, “o palhaço ri dali, o povo chora daqui e o show não para” – até quando vamos segurar essa barra??

Até quando suportar discursos políticos reembalados por marketeiros, que vão nos convencer que estão do “nosso lado” para nos salvar do “outro lado”, jogando pobres contra ricos e vice-versa, com a aura de pacificadores-democratas, salvadores-legionários, evangelistas-arrependidos, e não tenham dúvida: todos nós pagaremos caro esse dízimo, pois ninguém vai cuidar de ninguém, e seguiremos assistindo incrédulos todas as formas de corrupção e desmandos endêmicos, aqui presentes desde os tempos da coroa.

Salvo raras exceções, não teremos os discursos necessários sobre matriz de desenvolvimento, autonomia energética, fortalecimento da cultura, inovação, políticas de IA, reforma política, saúde mental, violência de gênero, qualificação profissional, segurança alimentar, ou seja, o que de fato importa para um país que ainda acha que tem futuro – mas não faltarão discursos inflamados contra o sistema eleitoral, contra o STF, contra a esquerda, contra a direita, que o Paraguay é bom e SC deveria ser na Flórida. E continuaremos na condição de reféns do sistema, iludidos com muita informação e nenhum conteúdo, muita promessa e poucas propostas, como se “nunca antes nesse país as coisas não tivessem sido sempre da mesma maneira”. Como diz Capitão Nascimento: o sistema é foda!

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