Pesquisa da Gallup revela que apenas 32% dos trabalhadores brasileiros estão engajados; especialista aponta diretrizes para reestruturar metas e focar em resultados viáveis até o fim do ano
A aproximação do encerramento do ano impõe às lideranças corporativas o desafio de reestruturar o foco das equipes e recuperar o ritmo de execução sem intensificar o esgotamento dos colaboradores. Dados do relatório State of the Global Workplace 2026, elaborado pela Gallup, mostram que apenas 32% dos profissionais no Brasil declaram-se engajados com o trabalho. No mesmo indicador, 57% aparecem como não engajados e 11% como ativamente desengajados — cenário que evidencia a urgência de adequar o planejamento e dar clareza às prioridades operacionais.
Com o afastamento progressivo entre o planejamento traçado no início do exercício e o volume de entregas consolidadas até o terceiro trimestre, especialistas apontam que cobrar mais volume de trabalho não garante a recuperação de metas. A revisão pragmática do que é viável passa a ser o caminho para mobilizar as áreas antes do encerramento do ano.
Para Alexandre Slivnik, especialista em excelência de serviços, diretor executivo do IBEX (Instituto de Formação Empresarial) e vice-presidente da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), a reorganização das prioridades exige liderança consultiva e corte de dispersões:
“Quando as metas de 2026 perdem sentido para a equipe, as pessoas podem continuar executando tarefas sem enxergar a contribuição delas para o resultado. Priorizar significa ter coragem de dizer não. Quando tudo é urgente, nada é realmente prioridade. O papel do líder é mostrar o que realmente importa e onde cada profissional pode fazer diferença.”
Cinco atitudes para direcionar equipes até dezembro
Para transformar a reta final do ano em um período de alinhamento e produtividade sem sobrecarga, o especialista elenca cinco decisões estratégicas para gestores:
- Seletividade de Metas: Identificar dois ou três grandes entregáveis de alto impacto para o negócio até dezembro, descartando ou adiando projetos secundários.
- Fracionamento de Entregas: Desmembrar metas anuais em etapas curtas — mensais e semanais —, definindo prazos objetivos e responsáveis diretos para cada fase.
- Propósito do Indicador: Explicar o contexto e a importância da meta antes de cobrar o volume e os indicadores operacionais.
- Acompanhamento sem Microgestão: Substituir cobranças ostensivas por pontos de checagem periódicos para remover gargalos e ajustar rotas operacionais.
- Reconhecimento de Conquistas Intermediárias: Dar visibilidade às etapas concluídas com sucesso, evitando associar a comunicação de metas apenas a cenários de cobrança ou atraso.
Desconexão de lideranças e reflexo na operação
O levantamento da Gallup aponta ainda uma retração na motivação dos próprios ocupantes de cargos de gestão: o engajamento global de gestores caiu de 27% em 2024 para 22% em 2025. O enfraquecimento do propósito na liderança tende a repercutir diretamente no ritmo das equipes operacionais.
O reordenamento das prioridades até o fim do exercício atua como uma ferramenta para realinhar as expectativas das equipes, reduzindo custos operacionais causados pela dispersão de esforços e garantindo previsibilidade para a transição dos ciclos estratégicos.
