Especialista em sistemas alerta para táticas de manipulação psicológica e aponta diretrizes de segurança digital para o ambiente corporativo e doméstico
O cenário da segurança financeira no país enfrenta um período de reconfiguração com o aumento de ataques cibernéticos baseados em novas tecnologias. A massificação de ferramentas de inteligência artificial aplicadas ao cotidiano e a consolidação das plataformas de pagamento instantâneo alteraram a dinâmica do crime digital, migrando de invasões técnicas massificadas para operações direcionadas. Indicadores de segurança cibernética mantêm o mercado nacional entre os que registram maior incidência de fraudes financeiras digitais no mundo, computando passivos anuais bilionários em transações indevidas.
Diferente de metodologias passadas voltadas a romper a criptografia dos sistemas bancários, a criminalidade atual concentra-se no comportamento do usuário. Cézar Augusto Mezzalira, coordenador da área de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Afya em Pato Branco, avalia que o mercado observa o avanço de estratégias de indução ao erro. “Vivemos a era da engenharia social de precisão. O criminoso estuda o perfil da vítima em redes sociais, utiliza a voz clonada de um familiar via IA ou simula a interface exata de um aplicativo bancário para induzir um erro. A barreira técnica das instituições é alta, mas a manipulação psicológica continua sendo o atalho mais eficiente para os fraudadores”, explica.
Entre os formatos com maior volume de registros em delegacias especializadas, o chamado “golpe do falso suporte técnico” destaca-se pelo uso de centrais telefônicas simuladas. Na abordagem, o operador finge integrar o comitê de segurança de uma instituição financeira e relata uma suposta irregularidade na conta do cliente, convencendo o correntista a realizar transferências de contenção ou a ceder o controle remoto do dispositivo móvel. O uso de deepfakes de voz e imagem enviados via mensageiros instantâneos e o disparo de links de phishing de alta fidelidade visual também são utilizados para mimetizar portais institucionais e acelerar transações sob pressão emocional.
Protocolos de prevenção e higiene digital por faixa geracional
A mitigação desses riscos operacionais exige a aplicação de protocolos preventivos estruturados de acordo com o perfil de exposição do usuário. Para o público sênior, frequentemente visado por tentativas de chamadas telefônicas diretas, a recomendação técnica consiste no encerramento imediato de contatos suspeitos e no uso exclusivo dos canais oficiais descritos no verso dos cartões físicos.
Para as gerações mais jovens, habituadas ao ecossistema mobile, o foco deve se voltar para a higiene digital e o controle de credenciais. Analistas recomendam a migração dos sistemas de autenticação de dois fatores (2FA) baseados em mensagens SMS para aplicativos autenticadores dedicados, além da adoção de gerenciadores de senhas capazes de impedir a reutilização de chaves de acesso em múltiplas plataformas web.
Em termos de conformidade e proteção geral, órgãos de segurança cibernética consolidaram diretrizes básicas de governança pessoal de dados. As orientações incluem a proibição de compartilhamento de códigos de verificação por chamadas de áudio, a configuração de limites rígidos para transferências eletrônicas noturnas e a restrição do uso de redes Wi-Fi públicas para movimentações financeiras, priorizando redes móveis criptografadas (4G ou 5G). A manutenção das notificações de compra ativas e a atualização recorrente dos sistemas operacionais dos aparelhos complementam as camadas de defesa necessárias para assegurar a integridade dos ativos financeiros no ambiente volátil do mercado digital.

