Na absurda Matrix que rege a política brasileira entramos na reta final de um pleito confuso, mas previsível – só não sabemos ainda como a história vai terminar…
A extrema polarização vivenciada não é um problema brasileiro – temos assistido em diversos países do mundo um apreço inacreditável para democraticamente elegermos tiranos de toda espécie; as pessoas querem ser “salvas” e pagam um preço elevado acreditando que suas vidas irão melhorar. No Brasil, vivemos uma forte ausência de cidadania – escolher um “lado” é submeter-se à narrativa, mas não representa consciência política. Somos sujeitos de direitos, mas raramente vivemos este papel, pois pensar e ser dá muito trabalho.
Por várias vezes já disse aqui que a democracia é um sistema imperfeito, mas inegociável – direitos conquistados ao longo de anos de luta podem desaparecer a qualquer instante; cidadãos americanos passam fome e dormem em seus carros pois perderam suas casas para o capitalismo, mas continuam acreditando no sistema e elegendo Donald Trump. O mais relevante disso é que seguem com seu direito ao voto!
Seja qual for o resultado da eleição, minha visão progressista não vai mudar: continuarei defendendo a democracia e a liberdade, bases essenciais para o desenvolvimento da sociedade. Só não é possível compactuar com discursos golpistas, como rasgar a constituição ou eliminar instituições… e estamos perto disso mais uma vez na história, o que faz parte do risco da democracia!

Sei também que não vou mudar para o Paraguay ou para a Flórida – minha bandeira sempre será verde e amarela, e continuarei a falar o português claro, como de costume! Não vou comprar arma ou entrar num clube de tiro, ou pagar dízimo em alguma igreja, nem defender pena de morte – estas convicções permanecem comigo como minha crença na liberdade de escolha.
Mas como faz o bom velejador, vamos ajustar as velas e definir o rumo conforme os ventos soprarem – da direita, esperar revanchismo, perseguição de adversários, esvaziamento da cultura e ação social, e plantio de muita desinformação… da esquerda, que consiga se reinventar, pois as velhas bandeiras e batalhas já não servem no mundo mágico das IAs e Bets – corporativismo sindical ou reforma agrária, por exemplo, precisam ser miradas com pragmatismo e menos ideologia…
Uma coisa tenho certeza – ricos ficarão mais ricos e nossos pobres ficarão mais miseráveis – isso nenhuma eleição vai mudar. Qualquer governo vai manter a reforma tributária, não para modernizar a economia, mas para aumentar e sofisticar a arrecadação (“meu quinhão primeiro”) – e a corrupção continuará firme e forte, que no bolso dos canalhas cabem todos os partidos. Não teremos um salvador nessa eleição, como nunca tivemos… aliás, aguardar o Salvador é manter uma esperança infantil de que super-heróis existem. Precisamos amadurecer. As pessoas ingressam na política para ganhar dinheiro e manter privilégios, coisas que o poder permite. Simples assim.
Vote, se informe, não se omita, escolha com convicção, pratique a democracia que ainda nos é permitida, que a outra opção é muito pior!

Empreendedor social, consultor empresarial, educador e músico, pai da Mariana e cidadão de Atibaia. Possui mais de 40 anos de trajetória profissional transitada entre o meio corporativo e o terceiro setor. Atualmente é dirigente da ONG Mater Dei de Atibaia-SP e violonista do grupo Eclético Musical.
