Com expectativa de 93 milhões de consumidores ativos em 2026, especialista alerta para os impactos das taxas de cartões e do Pix na liquidez imediata do caixa

O Dia dos Namorados deve consolidar-se mais uma vez como uma das principais datas sazonais para o comércio e o setor de serviços no Brasil. De acordo com um levantamento conjunto realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, o período tem potencial para injetar cerca de R$ 22 bilhões na economia, impulsionado por uma estimativa de 93 milhões de consumidores que pretendem ir às compras. O tíquete médio projetado por presente gira em torno de R$ 238, com os segmentos de vestuário, perfumaria, cosméticos e chocolates liderando as intenções de compra.

Para Maurício Galhardo, sócio da F360 e especialista em gestão financeira para franquias, o aumento expressivo no fluxo operacional das lojas não deve mascarar a necessidade de controle técnico rígido. “O empresário precisa enxergar a data além do aumento das vendas. O Dia dos Namorados gera grande movimentação no varejo, mas o resultado financeiro depende diretamente de organização operacional, controle de estoque, gestão de margem e acompanhamento do fluxo de caixa”, explica o executivo.

A força do varejo físico e o impacto do Pix no capital de giro

Um dos indicadores mais estratégicos da pesquisa aponta que 75,7% dos consumidores preferem efetuar suas compras em estabelecimentos físicos, reforçando a relevância do ponto de venda tradicional e da experiência de consumo presencial. Na avaliação de Galhardo, essa tendência exige investimentos focados em atendimento consultivo e na integração de canais omnichannel. “O consumidor está mais atento à experiência. Não basta apenas oferecer desconto. Lojas que conseguem unir atendimento consultivo, comunicação estratégica e agilidade operacional tendem a aumentar o ticket médio e fortalecer a fidelização”, analisa.

Outro ponto crítico que demanda atenção dos comitês financeiros reside na matriz de meios de pagamento preferida para a data. O levantamento revela que 69% dos compradores pretendem quitar os presentes à vista — com forte protagonismo do Pix —, enquanto 28% optarão pelo parcelamento via cartão de crédito.

Embora o pagamento instantâneo traga liquidez imediata, o mix com o crédito parcelado exige um gerenciamento minucioso do fluxo de recebíveis. “Muitos varejistas olham apenas para o faturamento bruto e deixam de analisar o impacto das taxas, dos prazos de recebimento e da necessidade de capital de giro. Em datas sazonais, esse controle é fundamental para evitar desequilíbrios financeiros nas semanas seguintes”, adverte o sócio da F360.

O gargalo da última hora e a inteligência de dados

O varejo também precisará lidar com o desafio logístico e comercial das compras de última hora. A estimativa das entidades é que aproximadamente 10,5 milhões de brasileiros deixem para adquirir os presentes nos dias imediatamente anteriores ao 12 de junho.

Esse padrão de comportamento do consumidor reforça a urgência na adoção de tecnologias de monitoramento de estoque e vendas em tempo real. Para Galhardo, mitigar o risco de ruptura de estoque ou de encalhe pós-data depende da capacidade do lojista de ler os dados operacionais com rapidez. “Datas como o Dia dos Namorados são excelentes oportunidades para o varejo gerar receita, mas também para coletar inteligência sobre comportamento do consumidor. Quem acompanha dados e indicadores consegue tomar decisões mais rápidas e criar estratégias mais eficientes para o restante do ano”, conclui.

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