Amigo(a) litor(a), em meio a inúmeros escândalos envolvendo “agentes públicos”, sejamos bem-vindos ao ano da eleição!
Nesse período os “ânimos se agitam”, mas, seja quem for o presidente eleito, em meio a persistência da polarização política e ideológica terá de lidar com inúmeros temas vinculados à agenda econômica.
Há enormes desafios!
Embora tal assunto pareça distante do dia a dia dos seus negócios, a dinâmica desses afetam o nível de atividade econômica e, como consequência, os níveis de investimentos, produção, emprego, custos, vendas e receitas obtidas pelas nossas empresas.
Vejamos …
Produto e renda
O consumo das famílias depende da taxa de crescimento do Produto Interno Bruto – PIB. Quando esse cresce, ocorre aumento da disponibilidade de renda para consumo de bens e serviços.
Em 2024 a taxa de crescimento do PIB foi de 3,4%. Embora o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) esteja consolidando os dados do quarto trimestre de 2025, a expectativa é que dado oficial fique em torno de 2,2%. Para 2026, o mercado estima que o crescimento do PIB seja de 1,8%.
A tendência de redução da renda das famílias tende a diminui a capacidade de vendas das empresas. O novo governo tem de reverter essa tendência coordenando as políticas ficais e monetárias, ou seja, controlando os gastos do governo e seu financiamento.
Dívida pública
Assim como as famílias, o governo precisa manter suas contas equilibradas. Gastos não podem ser maiores que a renda recebida. Caso isso aconteça, haverá aumento do endividamento agravando o problema.
No Brasil o Tesouro Nacional (TN) é o órgão responsável pelo gerenciamento das receitas provenientes da arrecadação de impostos e despesas obrigatórias e discricionárias. A missão do TC é garantir o equilíbrio nas contas do governo.
Dados do TN indicam piora nas contas do governo, apesar da adoção do arcabouço fiscal, que é a regra adotada para controle das contas públicas. Infelizmente, o governo possui muita dificuldade cortar gastos e despesas, pois grande parte desses são obrigatórias.
Em 2024 e 2025 a dívida em relação ao PIB foi de 76,5% 78,0%, respectivamente. Estima-se que em 2026 essa pode alcançar mais de 83% do PIB.
Governos tendem a gastar muito. Quando isso acontece tendendo a ampliar a carga tributária.
Carga tributária
Todos nós “temos um sócio”: trabalhadores formais ou informais, pequenos ou grandes empresários, pequenos ou grandes investidores: o governo. Há a tributação indireta (a maior parte dos bens que consumimos recebe a incidência de tributos) e a tributação indireta (aquela que incide sobre a renda, patrimônio ou a capacidade contributiva das pessoas físicas ou jurídicas).
A carga tributária é uma relação entre a soma da arrecadação federal, estadual e municipal e o Produto Interno Bruto (PIB)
Acompanhamos o aumento da carga tributária. Essa atingiu 32,2% do PIB em 2024, marcando um recorde histórico nos últimos anos. A tendencia é que essa siga aumentando.
Quando a carga tributária aumenta sobra menos recursor para o setor produtivo, consumidores e empresas
O novo presidente terá enormes desafios …

Marcello Muniz é economista e mestre em Engenharia pela USP. Com 20 anos de experiência profissional, é perito judicial, atua como Analista de Negócios junto à Data Science Business Management (DBSM) e é professor de Economia junto à Unifaccamp (de Campo Limpo Paulista) e Faculdade Impacta de Tecnologia (FIT).
Atuou como pesquisador da Divisão de Economia e Engenharia de Sistemas do IPT (DEES), consultor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Analista de Projetos da Fiesp.
Apaixonado por temas relacionados a políticas públicas e economia, autor do livro Matemática para Economia (Ser Educacional), participou na qualidade de coautor de 13 livros, entre esses: Política Industrial (Jornal Valor Econômico), Outward FDI from Brazil and its policy context (Vale Columbia Center on Sustainable International Investment), Gestão da Inovação no Setor de Telecomunicações (Fapesp) e Ressurgimento da indústria naval no Brasil (projeto-Ipea-BID).

