Alçadas de aprovação bem delimitadas separam as funções da operação, da diretoria, dos sócios e do conselho, evitando que demandas cotidianas sobrecarreguem a alta liderança e travem a expansão dos negócios

Quando empresas brasileiras expandem equipes, orçamentos e volume de investimentos, a estrutura decisória precisa evoluir na mesma proporção. A ausência de limites claros sobre quem aprova, executa, consulta ou informa reduz a autonomia dos gestores, concentra decisões rotineiras no fundador e aumenta a lentidão operacional. Além disso, falhas de gestão tornaram-se mais dispendiosas: segundo o Banco Central, a taxa média de juros das novas operações de crédito para empresas alcançou 20,97% ao ano em julho de 2026.

Especialistas alertam que a dependência permanente dos sócios indica que a estrutura de comando não acompanhou o crescimento da organização. Apenas definir cargos no organograma não é suficiente; é necessário criar matrizes de responsabilidade alinhadas a critérios de risco, orçamento e capacidade técnica.

Para Farias Souza, CEO e fundador da Board Academy, edtech especializada na formação de conselheiros e executivos, a descentralização de autoridade é o caminho para destravar o potencial de crescimento das empresas:

“Quando todos precisam consultar o fundador, o negócio pode até ter aumentado o faturamento e a equipe, mas sua capacidade decisória continua limitada. A governança corporativa distribui autoridade sem retirar o controle dos proprietários.”

As seis definições para organizar a estrutura de comando

Para implementar a governança de maneira prática sem engessar as operações, a arquitetura decisória deve alinhar seis papéis fundamentais:

  • Quem decide: Posição que possui autoridade formal e responsabilidade pelo resultado. Decisões cotidianas ficam próximas da operação, enquanto temas de alto impacto sobem de nível.
  • Quem executa: Equipe responsável pela implementação técnica, com participação ativa na análise de prazos, custos e viabilidade.
  • Quem precisa ser consultado: Áreas afetadas (como financeiro, jurídico, TI e RH) que fornecem insumos técnicos para qualificar a decisão, sem necessariamente ter poder de aprovação.
  • O que pertence aos proprietários: Decisões que alteram a composição societária, entrada de investidores, distribuição de lucros e endividamentos relevantes.
  • O que cabe à diretoria: Gestão do orçamento, metas, contratações e investimentos dentro dos limites operacionais pré-aprovados.
  • O que deve ser levado ao conselho: Acompanhamento estratégico, gestão de riscos, sucessão executiva e avaliação de grandes investimentos.

Como destaca Eduardo Gomes, cofundador e presidente do conselho da Board Academy, a distribuição de responsabilidades deve considerar critérios objetivos:

“Uma contratação prevista no orçamento, a concessão de desconto, a abertura de uma unidade e a tomada de uma dívida não deveriam percorrer o mesmo caminho de aprovação. Cada escolha precisa ter um responsável, critério e limite definidos.”

A descentralização das alçadas exige acompanhamento por meio de indicadores, relatórios de prestação de contas e orçamento pré-definido, permitindo que os fundadores deleguem com segurança e mantenham total visibilidade sobre os rumos do negócio.

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