“Como você está?”

“Que horas são?”

“Vai chover?”

Respondemos quase automaticamente, como quem apenas atravessa o dia.

Mas existem outras perguntas. Dessas que não aceitam respostas rápidas. Elas chegam devagar, permanecem em silêncio por algum tempo e, quando finalmente encontram espaço, têm a capacidade de mudar a direção de uma vida.

Talvez seja por isso que eu goste tanto dos livros.

Ao contrário do que muitos imaginam, eles raramente nos entregam respostas prontas. Os bons livros fazem algo muito mais valioso: ensinam-nos a formular perguntas melhores.

Uma biografia pode nos perguntar o que realmente significa sucesso.

Um romance pode nos fazer perceber sentimentos que nunca havíamos conseguido nomear.

Uma poesia pode dizer muito em poucas palavras e deixar uma inquietação que permanece durante dias. Ou, às vezes, por muito mais tempo.

Há livros que terminam na última página. Outros continuam sendo lidos mesmo depois de fechados. Não porque ainda estejam sobre a mesa, mas porque continuam abrindo perguntas dentro de nós e nos provocando a olhar para a vida de uma maneira diferente.

E talvez seja esta a pergunta que eu gostaria de deixar para você neste mês:

Qual pergunta você tem evitado fazer a si mesmo?

Pode ser uma pergunta sobre o trabalho, sobre um relacionamento, sobre uma decisão que continua sendo adiada… ou, simplesmente, sobre a pessoa que você está se tornando.

Vivemos cercados de informações e opiniões. Encontramos respostas para quase tudo em poucos segundos. No entanto, algumas das questões mais importantes da vida não podem ser respondidas por uma pesquisa na Internet nem por alguém que decida por nós. Elas pedem tempo, pedem silêncio, pedem maturidade e, muitas vezes, pedem uma boa leitura para ampliar o nosso olhar.

Percebo isso com frequência nos clubes de leitura. É curioso observar como um mesmo livro desperta perguntas completamente diferentes em cada participante. A história é a mesma. O que muda é a bagagem que cada um leva para a leitura. Acredito, inclusive, que duas pessoas nunca leem exatamente o mesmo livro.

Cada leitor encontra aquilo para o que já estava preparado. Talvez esse seja um dos maiores presentes da leitura. Ela não muda apenas aquilo que sabemos; transforma a maneira como passamos a olhar para nós mesmos.

Sendo assim, acredite comigo que as melhores leituras não foram feitas para ocupar apenas um lugar na estante. Elas devem encontrar um lugar dentro de nós, mesmo que venham com algumas perguntas que ainda não temos como responder, mas que sabemos que estão nos ajudando a crescer.

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