Com projetos que somavam 26,2 gigawatts em pedidos de conexão, empresário Márcio Pinheiro analisa os gargalos de transmissão, estabilidade da rede e planejamento para o avanço do setor no país

O avanço global da Inteligência Artificial e da computação em nuvem impulsiona uma corrida acelerada pela instalação de data centers, infraestruturas que demandam fornecimento ininterrupto e massivo de energia elétrica. No Brasil, dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que os projetos em processo de solicitação de conexão à rede básica somavam 26,2 gigawatts.

Para o empresário Márcio Pinheiro, especialista com mais de duas décadas de trajetória nos setores de energia e infraestrutura, o debate ultrapassa o potencial de geração renovável do país e exige atenção aos gargalos operacionais da rede.

“O Brasil possui grande potencial de geração, especialmente por fontes renováveis, mas isso não significa que toda essa energia esteja disponível no local e no momento em que um data center precisa. A conexão depende da capacidade das linhas, das subestações e da estabilidade do sistema.”

Concentração geográfica e estabilidade operacional

A demanda por novas conexões se concentra no Estado de São Paulo, em polos como as regiões metropolitanas da capital, Campinas e Barueri. A EPE já recomendou cerca de R$ 1,6 bilhão em obras de expansão na transmissão paulista para viabilizar 4 gigawatts de capacidade, com estudos para acrescentar outros 5 gigawatts. No Nordeste, o interesse prospectivo abrange 30 projetos com demanda de 8,3 gigawatts, dividindo espaço na rede com iniciativas de hidrogênio verde.

O desafio central reside na constância do fornecimento. Como a operação de um data center é ininterrupta, a volatilidade de fontes eólicas e solares exige mecanismos de segurança e flexibilidade, incluindo armazenamento em baterias, hidrelétricas e termelétricas de apoio.

Márcio Pinheiro alerta para a necessidade de sincronia entre os anúncios do mercado e o planejamento do setor elétrico:

Foto: Márcio Pinheiro (Divulgação)

“Projetos dessa dimensão precisam avançar em sintonia com o planejamento energético. Se a expansão da carga ocorrer antes dos reforços na rede, surgem atrasos e riscos operacionais. Se o sistema for ampliado para empreendimentos que não saem do papel, o país pode investir em estruturas que permanecerão subutilizadas.”

O avanço ordenado desse mercado representa uma oportunidade estratégica para atrair investimentos em tecnologia e infraestrutura, desde que a seleção de projetos preserve a sustentabilidade econômica do sistema e evite pressões tarifárias sobre os demais consumidores.

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