Ao longo desta coluna, temos falado sobre Transformação Digital. Falamos sobre tecnologia, inovação, atitude, ação, propósito e, mais recentemente, sobre a necessidade de avançarmos juntos.
Mas talvez seja justamente agora que uma nova pergunta precise ser feita:
Como avançar quando um dos setores mais importantes para a vida das nossas cidades enfrenta uma transformação tão profunda?
Estou falando do comércio.
A pequena loja da esquina. A mercearia do bairro. A empresa familiar construída ao longo de décadas. A loja tradicional do centro da cidade. Mas também as grandes redes e os gigantes do varejo.
Todos estão diante de uma nova realidade.
O consumidor mudou. A tecnologia mudou. A concorrência mudou. A economia mudou.
E o comércio precisa mudar também.
Precisamos reconhecer uma verdade: abrir as portas e esperar o cliente entrar já não pode ser a única estratégia de sobrevivência.
Hoje, antes mesmo de chegar à loja, o consumidor pesquisa no celular, compara preços, consulta avaliações, conversa pelas redes sociais e começa, cada vez mais, a utilizar a Inteligência Artificial para buscar informações e tomar decisões.
O comércio deixou de ser apenas um endereço.
Passou a ser uma conexão.
E essa transformação não está atingindo apenas os pequenos. Grandes empresas também descobriram que tamanho, marca e faturamento não são garantias de sobrevivência. Quando o endividamento cresce, os juros sufocam, o caixa desaparece e o modelo de negócio deixa de acompanhar o mundo, até os gigantes podem perder o rumo.
Mas transformação não significa abandonar a história.
Transformar não é destruir o que construímos.
É reconhecer aquilo que temos de melhor e encontrar novas formas de seguir em frente.
A pequena mercearia pode utilizar a tecnologia para conhecer melhor seus clientes. A loja de bairro pode ampliar suas vendas pelo WhatsApp. O vendedor pode deixar de ser apenas alguém que entrega um produto para voltar a ser aquilo que sempre fez a diferença: alguém que entende pessoas, necessidades e sonhos.
A Inteligência Artificial não precisa substituir o ser humano.
Ela pode ampliar sua capacidade.
O digital não precisa fechar as portas das lojas.
Pode abrir portas que antes nem existiam.
Mas também precisamos compreender que tecnologia, sozinha, não resolve tudo. Digitalização sem gestão não salva empresas. Vender mais sem conhecer custos e margens pode aumentar o problema. Crescer sem planejamento pode transformar sucesso em crise.
Por isso, o grande recomeço do comércio não será apenas tecnológico.
Será humano.
Será empresarial.
Será econômico.
E será coletivo.
É nesse ponto que acredito estar a nossa grande oportunidade.
Precisamos conectar conhecimento, gestão, inovação e tecnologia às necessidades reais de quem acorda todos os dias para abrir uma porta, atender um cliente, pagar fornecedores, manter empregos e acreditar que amanhã pode ser melhor.
Comerciantes, empresários, entidades, instituições de ensino, tecnologia e Poder Público precisam assumir a responsabilidade de construir esse novo caminho.
Trata-se de uma ação de transformação, para o comércio enfrentar os desafios do presente e construir condições reais para vencer no futuro.
Porque o futuro será construído por quem tem coragem de compreender as mudanças, aprender com elas e transformá-las em oportunidades.
O comércio não precisa desaparecer.
Ele precisa se reinventar.
Não é o fim das portas abertas.
É o momento de abrir novas portas.
E, mais do que nunca, é tempo de avançarmos juntos.


Empreendedor-raiz e com uma experiência de mais de 30 anos em gestão, Adilson é administrador de empresas, pós-graduado em Docência para a Educação Profissional Tecnológica (EPT) pelo IFSP. Já atuou em cargos de gestão tanto em empresas da iniciativa privada quanto em gov-techs, tendo sido determinante para a criação do programa Conecta, além do reconhecimento de Atibaia como Arranjo Produtivo Local (APL) em Agronegócio e TI. Com uma ampla experiência como palestrante e professor, acredita que a educação agrega valores de excelência na transmissão de conhecimentos, possibilitando o desenvolvimento humano e tecnológico focado nas necessidades e dores da sociedade.
