Aos olhos mais atentos, o mapa do empreendedorismo está sendo redesenhado. Longe do ambiente saturado das grandes cidades, dos aluguéis inacessíveis das metrópoles, cidades com população entre 100 mil e 500 mil habitantes se tornaram o novo destino para muitas gigantes do sistema de franquias. O fenômeno da interiorização tem se mostrado uma estratégia proposital com foco em eficiência, novas conexões e um novo mercado.
Esse movimento vem ganhando força com a adaptação de modelos de negócio. Grandes marcas, antes restritas a shoppings das capitais ou a cidades maiores, passaram a entender o interior como ‘capital novo a ser explorado’. Algumas redes criaram formatos mais enxutos, reposicionaram estrategicamente o local das lojas que agora podem ser vistas em rodovias ao lado de redes de postos de gasolinas com conveniências ou mesmo conceitos modulares. Segundo dados recentes da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o crescimento das unidades em cidades do interior tem superado o desempenho das regiões metropolitanas, refletindo que há demanda por serviços de qualidade e um potencial imenso ainda a ser explorado.
A migração em questão propõe um clico que pode ser virtuoso, mesmo que isso gere reacomodações inerentes do capital para outras marcas existentes na região. A prosperidade de um lado traz novas perspectivas, de outro pode reordenar o arranjo local fazendo crescer novas regiões. Apostar em polos como a Região Bragantina ou o Sul de Minas pode significar custos operacionais menores e mão-de-obra escassa ou mais qualificada que o comum. Para o consumidor, esse novo momento significa acesso a uma nova categoria de serviços, em sua maioria, que antes ficavam restritos por conta da distância.
O interior deixa, para muitos, de ser “plano B” apesar de haver ainda muito o que se construir para se afirmar. O consumo em cidades médias vem crescendo em ritmo acelerado, obrigando muitas cidades, como o caso de Atibaia/SP, a se modernizarem para atender um novo público que passou a consumir e morar na cidade. Longe de alcançar o teto como as capitais, o interior oferece, em primeira leitura, um céu inteiro como horizonte.

Empresário no Segmento de Franquias com experiência em Gestão de Clientes Corporativos há mais de 25 anos. Multiprofissional formado em Comunicação com habilitação em Jornalismo pela UVA – Universidade Veiga de Almeida (RJ), com experiência em documentário, fotografia, rádio e produção de conteúdo pela Agência ZeroUm, SP.

