Estudo global mostra que o país é um dos mercados mais rentáveis do mundo no segmento de pequenas e médias empresas; uso de cartões corporativos é a principal porta de entrada
As pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras representam uma verdadeira mina de ouro para o setor financeiro. Um estudo inédito lançado pela Visa revela que uma PME no Brasil gera, em média, 10,7 vezes mais receita para as instituições financeiras do que um cliente pessoa física. O desempenho coloca o país na terceira posição de rentabilidade do segmento entre os 17 mercados globais analisados, ficando atrás apenas da Alemanha (11,6 vezes) e do Reino Unido (11,3 vezes).
O relatório aponta que o valor gerado por essas empresas vai muito além da abertura de novas contas. No mercado nacional, cada relacionamento bancário com uma PME rende, em média, US$ 17.178 por ano (cerca de R$ 93 mil na cotação atual) para os bancos e fintechs. O grande desafio das instituições, portanto, é aprofundar o relacionamento com os empreendedores que já estão dentro de suas bases de clientes.
“As PMEs representam um importante potencial de crescimento para as instituições financeiras, mas esse valor está na profundidade do relacionamento, e não apenas na oferta de produtos”, explica Marcela Pinori, vice-presidente de Soluções Comerciais da Visa do Brasil.
O poder do cartão empresarial
O principal motor para turbinar essa receita é o uso do cartão corporativo. De acordo com o levantamento, os produtos atrelados a cartões representam 44% de toda a receita bancária vinda das PMEs. Na América Latina, os empreendedores que utilizam esse meio de pagamento geram, em média, 78,7% mais receita para os bancos e consomem 88% mais produtos financeiros do que aqueles que não utilizam.
Além disso, a Visa destaca que a transação via cartão gera dados valiosos. Essa inteligência permite que os bancos compreendam a real dinâmica de caixa das empresas, facilitando a concessão de crédito assertivo e a criação de ofertas personalizadas.
Cruzamento de dados e estratégias por setor
Uma das maiores oportunidades mapeadas pelo estudo está na unificação do atendimento. Os bancos que conseguem enxergar o empreendedor de forma integrada — conectando sua conta de pessoa física (PF) com a de pessoa jurídica (PJ) — conseguem aumentar drasticamente a rentabilidade do cliente.
O potencial de ganho, contudo, varia de acordo com o segmento de atuação:
- Hospedagem, Alimentação, Atacado e Varejo: Concentram mais da metade (50%) da receita bancária gerada por cartões.
- Construção e Manufatura: São apontados como os setores com maior potencial de crescimento para a expansão dessas soluções digitais.
Para a executiva da Visa, as instituições que quiserem liderar o mercado precisarão abandonar a abordagem padronizada e apostar em estratégias segmentadas, apoiando o microempresário desde o momento da formalização do negócio.
