Confundir desempenho individual com capacidade de liderança gera alta rotatividade e perda de rentabilidade em pequenas e médias empresas

Durante décadas, a lógica corporativa foi direta: o melhor vendedor ou o técnico mais produtivo deveria assumir a gerência. No entanto, essa fórmula tem provocado um efeito silencioso e dispendioso para as empresas brasileiras. Para Herculano Souza da Cruz, consultor de negócios especialista em finanças e operações, o problema central é confundir execução com gestão. “Vendas é habilidade individual. Gestão é estrutura, processo e tomada de decisão estratégica”, afirma.

Segundo o especialista, promover por mérito técnico sem investir em formação gerencial cria um cenário onde a empresa “perde duas vezes”: o antigo destaque perde performance na nova função e a equipe fica desestruturada. Esse despreparo é um dos principais fatores da alta rotatividade (churn de funcionários), impactando diretamente as margens de lucro devido aos custos de rescisão, novas contratações e tempo de treinamento.

Da cultura informal à gestão profissional

Para Herculano, a liderança deve deixar de ser vista como um cargo e passar a ser tratada como função estratégica. Ele defende que o empresário precisa abandonar o improviso e focar em três pontos críticos: a formação técnica de líderes, a clareza de metas e a separação entre as funções operacionais e estratégicas.

O desafio para as pequenas e médias empresas é migrar do modelo familiar ou informal para uma administração baseada em processos e margem. “O empresário que continua centralizando tudo ou promovendo sem critério cria dependência estrutural. E dependência não escala”, alerta o consultor. O objetivo final, segundo ele, deve ser garantir que a organização sobreviva ao seu próprio crescimento através de uma liderança sólida.

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