Empresas terão até setembro de 2026 para decidir entre o Simples tradicional e o modelo híbrido previsto pela Reforma Tributária

De acordo com resolução publicada pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN), empresas enquadradas no Simples Nacional terão entre 1º e 30 de setembro de 2026 para optar entre permanecer no regime tradicional ou aderir ao modelo híbrido criado pela Reforma Tributária, decisão que produzirá efeitos a partir de 2027. A definição coloca uma nova análise na mesa de milhões de pequenos negócios brasileiros, que precisarão considerar não apenas a carga tributária, mas também fatores como geração de créditos, perfil dos clientes, formação de preços e impacto financeiro sobre a operação.

Muitos vão olhar apenas para a alíquota e tentar descobrir qual opção parece mais barata. Esse é justamente o maior risco. A escolha passa a envolver o perfil dos clientes, a relação com fornecedores e a capacidade de aproveitar créditos tributários. Dependendo da operação, uma decisão tomada apenas com foco no imposto pode custar mais caro lá na frente“, afirma Reginaldo Stocco, CEO da vhsys, empresa de tecnologia especializada em soluções de gestão empresarial para micro e pequenos negócios.

Reginaldo Stocco (Foto: divulgação)

Na prática, a primeira análise deve estar relacionada ao perfil de faturamento da empresa e ao tipo de cliente atendido. Negócios que vendem predominantemente para outras empresas tendem a sentir mais os efeitos da nova dinâmica tributária, já que a geração de créditos ganha relevância nas relações comerciais. Já empresas voltadas ao consumidor final podem encontrar menos vantagens nessa mudança e manter maior aderência ao regime simplificado.

Outro ponto de atenção está na organização financeira do negócio. A decisão não deve ser tomada apenas com base na alíquota paga atualmente. Será necessário acompanhar indicadores como margem de lucro, custos operacionais, despesas recorrentes, composição de fornecedores e potencial de aproveitamento de créditos tributários. Sem essa visibilidade, o empresário corre o risco de tomar uma decisão baseada apenas na carga tributária aparente, sem considerar os impactos reais sobre a rentabilidade da empresa.

Nesse processo, ferramentas de gestão ganham papel estratégico. Sistemas que concentram informações financeiras, fiscais e operacionais em um único ambiente permitem acompanhar indicadores, analisar o desempenho do negócio e construir cenários mais consistentes para apoiar a tomada de decisão. Quanto maior a qualidade dos dados disponíveis, maior a capacidade de entender qual modelo tributário faz mais sentido para a realidade da empresa.

A discussão sobre tributação costuma ganhar força quando os prazos se aproximam, mas as empresas que começarem a organizar seus dados desde agora terão muito mais clareza quando chegar o momento de decidir.“, conclui o especialista.

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